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Valeriana: Doutorando Encontra na Página 16 do Google Megacidade Maia Perdida com 6.674 Estruturas no México

📅 2026-10-17⏱️ 13 min de leitura📝
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Resumo Rápido

Reanálise arqueológica com laser LiDAR de dados florestais esquecidos revela Valeriana, uma metrópole monumental maia com pirâmides e quadra de pelota oculta na selva de Campeche. Um dos maiores capítulos da arqueologia moderna começou não com uma expedição armada de facões e botas de trilha pela selva inóspita, mas diante de uma tela de computador comum durante uma busca acadêmica rotineira.

Principais Destaques da Reportagem:

  • Uma reanálise com tecnologia LiDAR de dados florestais de 2013 revelou Valeriana, uma megacidade maia com 6.674 estruturas distribuídas por 122 km² na selva de Campeche, no México.
  • Com dois centros cerimoniais conectados por calçadas, pirâmides de até 15 metros, quadra de pelota e represa artificial, o sítio abrigou entre 30.000 e 50.000 pessoas no seu ápice (750–850 d.C.).
  • Publicada na revista científica Antiquity pela equipe de Luke Auld-Thomas e Marcello Canuto (Universidade de Tulane), a descoberta é a segunda maior em densidade urbana de todo o mundo maia, superada apenas por Calakmul.
Valeriana: Doutorando Encontra na Página 16 do Google Megacidade Maia Perdida com 6.674 Estruturas no México
Valeriana: Doutorando Encontra na Página 16 do Google Megacidade Maia Perdida com 6.674 Estruturas no México — Ilustração Artística de Alta Fidelidade criada por inteligência artificial baseada em pesquisas científicas.

Valeriana: Doutorando Encontra na Página 16 do Google Megacidade Maia Perdida com 6.674 Estruturas no México

Ilustração documental de alta fidelidade baseada nos dados reais da descoberta da megacidade maia de Valeriana na densa selva tropical de Campeche no México
Recriação ilustrativa documental baseada nas coordenadas reais da pesquisa: arqueólogos analisam em campo o mapa tridimensional gerado por LiDAR ao lado de pirâmides e plataformas da recém-descoberta cidade maia de Valeriana, oculta sob o dossel florestal de Campeche, México. (Crédito: Ilustração Editorial de Alta Fidelidade / Mundo Incrível)

Um dos maiores capítulos da arqueologia moderna começou não com uma expedição armada de facões e botas de trilha pela selva inóspita, mas diante de uma tela de computador comum durante uma busca acadêmica rotineira. Enquanto navegava por páginas esquecidas de resultados de busca na internet — especificamente por volta da página 16 do Google —, o pesquisador norte-americano Luke Auld-Thomas, na época doutorando da Universidade de Tulane e atualmente professor na Northern Arizona University, deparou-se com um relatório esquecido de sensoriamento remoto florestal realizado em 2013 no sudeste do México. Ao descarregar o arquivo bruto e aplicar filtros computacionais projetados para enxergar através da vegetação, o arqueólogo descobriu Valeriana: uma colossal megacidade maia com 6.674 estruturas pré-hispânicas desconhecidas, escondida em plena vista sob a densa copa da floresta tropical de Campeche, a meros quinze minutos de caminhada de uma movimentada rodovia federal moderna.

O estudo que formalizou a descoberta extraordinária foi publicado com repercussão global na prestigiada revista científica Antiquity, editada pela Cambridge University Press (DOI: 10.15184/aqy.2024.148), sob o título "Running out of empty space: environmental lidar and the crowded ancient landscape of Campeche, Mexico". Conduzida por Auld-Thomas ao lado do renomado antropólogo Marcello A. Canuto, diretor do Middle American Research Institute da Tulane University, e de Adriana Velázquez Morlet, diretora do Centro INAH Campeche do Instituto Nacional de Antropologia e História do México, a pesquisa mapeou um polígono contínuo de 122 quilômetros quadrados e revelou que Valeriana ostenta a segunda maior densidade populacional e construtiva de toda a civilização maia clássica nas terras baixas da Mesoamérica, sendo superada em escala e concentração apenas pela lendária metrópole imperial de Calakmul.

O impacto da revelação transcende a mera catalogação de novas ruínas no mapa da Península de Yucatán. Semelhante ao impacto do mapeamento aeroespacial que revelou as metrópoles perdidas da Rota da Seda em altitudes extremas no Uzbequistão e as estruturas ocultas que conectavam as estradas secretas de Machu Picchu nos Andes, Valeriana desmantela a premissa secular de que os maias clássicos habitavam aglomerados urbanos pontuais e isolados cercados por vastas selvas vazias e intocadas. O que os pulsos de laser revelaram foi uma megalópole hiperconectada e densamente modificada pelo homem, onde colinas inteiras foram talhadas em terraços residenciais e vales foram transformados em represas artificiais gigantescas para sustentar entre 30.000 e 50.000 habitantes no auge de seu esplendor, entre os séculos VIII e IX d.C.


O Acidente na Página 16 do Google: Como Dados de Carbono Florestal Ocultavam uma Cidade #

A gênese de Valeriana configura uma das histórias mais fascinantes da ciência contemporânea e ilustra o poder da ciência aberta aliada à curiosidade metódica de pesquisadores dispostos a vasculhar além dos primeiros resultados de busca da internet. Por volta de 2020, Luke Auld-Thomas preparava sua dissertação de doutorado na Universidade de Tulane focada no estudo da urbanização maia e precisava desesperadamente de novos dados de sensoriamento remoto por LiDAR (Light Detection and Ranging), uma tecnologia aérea que utiliza disparos ultrarrápidos de feixes de laser para penetrar a densa vegetação e cartografar o solo em três dimensões com precisão centimétrica. Como o custo de fretar aviões com sensores LiDAR de nível de pesquisa pode ultrapassar centenas de milhares de dólares por campanha, o estudante passou semanas refinando palavras-chave no Google em busca de varreduras públicas pré-existentes na América Central.

Foi quando, avançando exaustivamente até a página 16 dos resultados de busca, Auld-Thomas encontrou um levantamento aéreo ambiental esquecido em repositórios abertos mexicanos. Tratava-se de um voo realizado em 2013 pela Comissão Nacional Florestal do México (CONAFOR) em parceria com a organização não governamental global The Nature Conservancy, executado pelo prestigiado National Center for Airborne Laser Mapping (NCALM) da Universidade de Houston para o projeto internacional M-REDD+ (Mecanismo para a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal). O objetivo primordial dos ecólogos da época era mensurar o volume das copas das árvores e quantificar a capacidade de estocagem de carbono da vegetação secundária de Campeche, e os dados brutos de retorno do solo foram arquivados em servidores públicos sem que nenhum arqueólogo jamais os tivesse examinado sob uma lente antropológica.

Ao descarregar os arquivos de nuvem de pontos georreferenciados e aplicar os sofisticados algoritmos de classificação topográfica desenvolvidos no laboratório do Middle American Research Institute da Tulane, Auld-Thomas viu a selva tropical desaparecer digitalmente de sua tela em questão de minutos. O que surgiu no relevo desnudo não foi uma planície florestal monótona, mas uma paisagem urbana impressionante e ininterrupta, repleta de ângulos retos, pirâmides monumentais, praças públicas, muralhas residenciais e calçadas cerimoniais que haviam escapado da visão de gerações de exploradores e silvicultores locais. A cidade recebeu dos pesquisadores o nome de Valeriana, em homenagem à lagoa de água doce homônima situada nas proximidades daquele território esquecido pelo tempo.


A Tecnologia Forense do LiDAR Aeroespacial: Desnudando 122 Quilômetros Quadrados de Selva #

A tecnologia LiDAR representa para a arqueologia do século XXI o que o telescópio espacial representou para a astronomia moderna: um instrumento capaz de tornar visível o que a física óptica tradicional esconde aos olhos humanos. Na selva subtropical de Campeche, no sudeste do México, a vegetação tropical é tão densa e fechada que um arqueólogo caminhando a pé com instrumentos topográficos convencionais pode passar a menos de vinte metros de uma pirâmide cerimonial de quinze metros de altura sem percebê-la, camuflada por trepadeiras gigantescas, raízes de ceiba e séculos de acúmulo de húmus e sedimentos florestais.

Pulsos de Fótons e a Eliminação Digital do Dossel Tropical #

O conjunto de dados do projeto M-REDD+ cobria uma faixa de 122 quilômetros quadrados no centro-leste de Campeche, voada por aeronaves bimotores em linhas paralelas a centenas de metros de altitude. A cada segundo de voo, o sensor laser do NCALM disparava dezenas de milhares de pulsos de luz infravermelha em direção à copa das árvores. Enquanto a esmagadora maioria dos fótons refletia nas folhas superiores e nos galhos do dossel, uma fração ínfima — entre 1% e 3% de todos os feixes emitidos — conseguia encontrar pequenas frestas entre a folhagem e atingir a superfície rochosa do solo antes de retornar ao receptor da aeronave.

Da Nuvem de Pontos ao Modelo Digital de Elevação Arqueológico #

A equipe liderada por Auld-Thomas e Marcello Canuto processou os bilhões de retornos laser brutos utilizando filtros algorítmicos rigorosos para separar os pontos de vegetação dos retornos de solo genuínos. O resultado foi a criação de um Modelo Digital de Elevação (DEM) de altíssima resolução, com malha de células de um metro quadrado, capaz de evidenciar até mesmo variações de relevo inferiores a 20 centímetros. O que se desdobrou sob a análise computacional foi uma paisagem profundamente transformada pela engenharia humana: 6.674 construções individuais pré-hispânicas catalogadas em toda a área de estudo, atingindo uma densidade média surpreendente de 55,3 estruturas por quilômetro quadrado, uma taxa quatro vezes superior à média das áreas rurais das terras baixas maias.


Anatomia Monumental de Valeriana: Pirâmides, Quadra de Pelota e a Calçada de 2 Quilômetros #

O núcleo urbano mais imponente e denso identificado no levantamento é a própria metrópole de Valeriana, que abrange uma mancha contínua de assentamento de 16,6 quilômetros quadrados. Ao contrário de acampamentos dispersos ou vilas agrícolas difusas, Valeriana apresenta todas as características distintivas de uma grande capital política clássica da Mesoamérica, exibindo um padrão de planejamento monumental sofisticado e hierarquizado distribuído em dois polos principais: Valeriana I e Valeriana II.

Valeriana I: O Coração Religioso e Político da Metrópole #

O polo monumental ocidental, designado como Valeriana I, funcionava como o centro neválgico cívico e cerimonial da cidade. No centro do complexo ergue-se uma imponente pirâmide de templo com quase 15 metros de altura, cercada por amplas praças retangulares fechadas e pátios aristocráticos ladeados por longos palácios de pedra com múltiplos aposentos. A arquitetura de alvenaria apresenta torres decorativas e fachadas escalonadas características do célebre estilo Río Bec, uma tradição artística maia refinada que floresceu no centro da Península de Yucatán entre 600 e 900 d.C. Ao lado da praça principal, o LiDAR expôs uma quadra cerimonial para o jogo de bola mesoamericano (pitz), a arena sagrada onde as elites maias encenavam narrativas cosmológicas da criação e resolviam disputas políticas territoriais de alto nível.

Valeriana II e as Calçadas Sacbeob Interconectadas #

A cerca de dois quilômetros a leste de Valeriana I ergue-se o segundo polo cerimonial monumental, Valeriana II, construído sobre uma eminência topográfica naturalmente protegida. Este complexo secundário reúne palácios administrativos com colunatas, pátios de audiência murados e templos funerários menores, cercados por centenas de plataformas habitacionais onde residiam artesãos especializados, sacerdotes e oficiais militares. Ligando os dois grandes centros urbanos e ramificando-se pelas encostas dos vales circundantes, os arqueólogos identificaram resquícios monumentais de sacbeob (antigas calçadas elevadas pavimentadas com estuque de calcário branco), que permitiam o trânsito seguro de caravanas comerciais, procissões religiosas e tropas militares mesmo durante os meses de dilúvios torrenciais de verão.


Tabela Técnica: Parâmetros Científicos, Geográficos e Arqueológicos de Valeriana #

A tabela a seguir consolida os parâmetros arquitetônicos, métricas espaciais e dados arqueológicos oficiais publicados na revista Antiquity pela equipe de pesquisa da Tulane University e do INAH Campeche:

Parâmetro Técnico / Arqueológico Metrópole Maia de Valeriana Área Total do Levantamento M-REDD+ Contexto Comparativo Regional
Localização Geográfica Centro-leste do Estado de Campeche, México Bloco florestal de 122 km² na Península de Yucatán A 15 minutos da Rodovia Federal 186, perto de Xpujil
Área do Núcleo Urbano 16,6 km² de ocupação contínua 122 km² de bloco analisado por laser Uma das maiores cidades já documentadas nas terras baixas
Total de Estruturas Catalogadas 6.674 construções pré-hispânicas identificadas 6.674 edifícios no polígono de 122 km² Densidade de 55,3 estruturas por km² (muito acima da média)
Densidade Construtiva Urbana Centenas de estruturas por km² no núcleo central Média de 55,3 estruturas/km² 2ª maior densidade maia da história, superada só por Calakmul
Edifícios Monumentais Centrais Pirâmides de até 15 m, palácios, quadra de pelota e sacbeob Dois polos cerimoniais maiores (Valeriana I e II) Arquitetura associada ao refinado estilo Río Bec
Infraestrutura Hidráulica Represa artificial (aguada) com dique de terra de contenção Sistema integrado de captação e canais de drenagem Armazenamento de milhões de litros d'água para seca severa
Período de Apogeu Populacional Clássico Tardio a Terminal (~750 a 850 d.C.) Ocupação contínua entre 250 e 900 d.C. Florescimento imediatamente anterior ao Grande Colapso Maia
População Estimada no Pico Entre 30.000 e 50.000 habitantes Dezenas de milhares de moradores no vale Rivalizava com centros clássicos como Tikal e Palenque
Método de Descoberta Original Reanálise de LiDAR ambiental (2013) por Luke Auld-Thomas Dados abertos do projeto florestal M-REDD+ (CONAFOR/NCALM) Encontrado na página 16 de buscas no Google Acadêmico
Causa Provável do Abandono Megassecas prolongadas, degradação do solo e guerra endêmica Colapso sistêmico regional entre 800 e 1000 d.C. Sociedade complexa hiperurbanizada sem resiliência hídrica

A Hidráulica das Terras Baixas: A Represa que Sustentou até 50.000 Habitantes #

Uma das maiores incógnitas sobre a viabilidade das grandes cidades maias nas terras baixas do interior de Campeche reside na gestão da água. Ao contrário das regiões montanhosas do altiplano ou das áreas costeiras banhadas por grandes rios navegáveis, a Península de Yucatán é uma vasta laje cárstica de rocha calcária porosa onde a água da chuva infiltra-se quase instantaneamente para o lençol freático profundo, sem formar rios de superfície permanentes. Para que uma população estimada entre 30.000 e 50.000 almas pudesse prosperar durante séculos em Valeriana, a engenharia hidráulica precisava operar com precisão cirúrgica para captar e estocar cada gota dos aguaceiros da estação chuvosa.

Os modelos topográficos gerados pelo LiDAR revelaram que os engenheiros maias de Valeriana transformaram a própria bacia hidrográfica natural do vale em uma imensa máquina de retenção hídrica. Em uma depressão sazonal localizada imediatamente ao sul de Valeriana I, os pesquisadores identificaram uma represa monumental criada pelo erguimento de um dique maciço de pedras e terra compactada que barrou o fluxo natural de drenagem das encostas. Essa represa alimentava uma aguada (reservatório artificial permanente) capaz de reter milhões de litros de água doce, suficiente para manter a cidade abastecida durante os seis meses anuais de estiagem rigorosa em que o céu não derrama uma única gota de chuva sobre a selva.

Ao redor da represa e espalhando-se pelas elevações circundantes por dezenas de quilômetros quadrados, o laser expôs uma malha intrincada de terraços agrícolas escalonados (bancales) talhados nas colinas calcárias, conectados a canais de desvio de enxurradas e muros de contenção de sedimentos férteis. Esse sistema agrícola hiperintensivo garantia que a terra produzisse colheitas contínuas de milho, feijão, abóbora e amaranto para alimentar os centros urbanos sem que a erosão provocada pelas tempestades lavasse a camada fértil de solo vegetal. Da mesma forma como as técnicas não destrutivas permitiram desvendar os segredos milenares da tumba sob o monumento do Tesouro em Petra, o LiDAR expôs que os maias de Valeriana não eram primitivos habitantes da selva, mas mestres da geoengenharia sustentável.


A Quebra de Paradigma e o Colapso do Século IX: Superpopulação e Megassecas #

A comprovação empírica de que Valeriana atingiu sua densidade máxima durante o período Clássico Tardio — especificamente entre 750 e 850 d.C. — joga luz sobre o maior e mais debatido mistério da arqueologia mesoamericana: a verdadeira causa do chamado Colapso Clássico Maia. Durante décadas, correntes historiográficas defenderam que a civilização maia desapareceu subitamente devido a catástrofes místicas, revoltas populares violentas ou invasões bárbaras vindas do norte. A densidade revelada por Valeriana oferece uma explicação muito mais plausível, grounded em dados demográficos e ambientais concretos: a armadilha malthusiana da superpopulação extrema diante da mudança climática.

No início do século IX d.C., Valeriana havia expandido sua mancha urbana até os limites máximos de sua capacidade de carga ecológica, cobrindo praticamente todos os vales e colinas habitáveis com casas de alvenaria e campos de cultivo. Registros paleoclimáticos extraídos de núcleos de sedimentos de lagos e estalagmites em cavernas de Yucatán demonstram que, entre 800 e 1000 d.C., a América Central foi assolada por uma série de megassecas históricas severas, as piores em mais de sete milênios de história climática regional. Em uma metrópole densamente povoada e totalmente dependente de represas artificiais como a aguada de Valeriana, a falha consecutiva das monções de verão esvaziou os reservatórios, quebrou a safra agrícola e desatou crises generalizadas de fome, epidemias e conflitos bélicos fratricidas entre dinastias rivais pelo controle dos últimos mananciais remanescentes.

Nos próximos anos, equipes conjuntas da Universidade de Tulane e do INAH Campeche realizarão as primeiras campanhas sistemáticas de escavação terrestre nas praças e palácios de Valeriana para coletar cerâmicas estratificadas, artefatos líticos de jade e obsidiana e ossadas humanas para análises de DNA antigo e isótopos estáveis de estrôncio. Ao revelar uma capital perdida de 6.674 construções esquecida na página 16 do Google, Luke Auld-Thomas e Marcello Canuto provaram que o solo americano ainda guarda impérios inteiros sob as folhas da floresta — e que o passado da humanidade é infinitamente mais povoado, complexo e fascinante do que sonhavam os velhos compêndios de história.


Perguntas Frequentes (FAQ) #

Como um estudante de doutorado conseguiu descobrir a cidade maia de Valeriana na página 16 do Google? #

A descoberta monumental ocorreu quando o arqueólogo Luke Auld-Thomas, enquanto realizava seu doutorado na Universidade de Tulane, navegava pelas páginas profundas de resultados de busca do Google acadêmico à procura de dados topográficos abertos sobre o México. Na página 16 do buscador, o pesquisador localizou um levantamento aeroespacial por LiDAR realizado em 2013 pela Comissão Nacional Florestal do México (CONAFOR) e pela organização The Nature Conservancy, originalmente destinado ao monitoramento da biomassa e dos estoques de carbono florestal do projeto M-REDD+. Ao baixar o conjunto massivo de dados brutos que cobria 122 quilômetros quadrados no centro-leste de Campeche e aplicar filtros computacionais avançados de arqueologia para remover a vegetação de dossel da selva tropical, Auld-Thomas deparou-se com a planta tridimensional completa de uma metrópole desconhecida com 6.674 estruturas pré-hispânicas perfeitamente preservadas sob as copas das árvores.

Quais são as principais estruturas arquitetônicas e urbanas identificadas em Valeriana pelo laser LiDAR? #

O processamento tridimensional das nuvens de pontos laser revelou que Valeriana cobria um núcleo urbano contínuo de 16,6 quilômetros quadrados estruturado em torno de dois complexos cívico-ceremoniais monumentais situados a cerca de dois quilômetros de distância um do outro. O complexo principal ostenta pirâmides de templo de até 15 metros de altura no estilo arquitetônico Río Bec, vastas praças muradas para assembleias públicas, plataformas residenciais escalonadas e uma quadra clássica para o ritual do jogo de bola mesoamericano (pitz). Além da arquitetura cerimonial e das habitações de elite, os mapas a laser identificaram calçadas elevadas de pedra (sacbeob) que interligavam os bairros, extensos terraços agrícolas esculpidos nas encostas para cultivo intensivo e uma represa artificial de contenção hídrica (aguada) construída através de um dique de terra que garantia o abastecimento de água potável durante as estiagens.

Por que a descoberta de Valeriana altera radicalmente o consenso científico sobre o colapso e a demografia maia? #

O achado de Valeriana derruba definitivamente a antiga visão colonial e historiográfica que retratava as terras baixas maias como florestas desabitadas pontuadas apenas por cidades-estados isoladas e distantes entre si. Com uma densidade de 55,3 estruturas por quilômetro quadrado em todo o bloco escaneado e concentrações superiores a centenas de edifícios por quilômetro quadrado em sua zona central, o sítio revelou-se a segunda área urbana mais densa de toda a civilização maia já mapeada por laser, perdendo apenas para a superpotência de Calakmul. A presença de uma população estimada entre 30.000 e 50.000 habitantes entre 750 e 850 d.C. a meros quinze minutos de caminhada de uma rodovia federal moderna comprova que o colapso clássico maia ocorreu em um território hiperurbanizado, onde a exaustão ecológica e megassecas devastaram sociedades densamente populosas e interdependentes.


Referências e Fontes Científicas Oficiais #

  1. Antiquity (Artigo Científico Original): Auld-Thomas, L., Canuto, M. A., Velázquez Morlet, A., Estrada-Belli, F., Chatelain, D., Matadamas, D., Pigott, M., & Fernandez-Diaz, J. C. — Running out of empty space: environmental lidar and the crowded ancient landscape of Campeche, Mexico (Antiquity, Cambridge University Press, Vol. 98, Issue 401, pp. 1340–1358).
  2. Tulane University (Middle American Research Institute): Lost Maya city discovered in Mexico by Tulane PhD student.
  3. Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH México): Estudios de arqueología aérea y LiDAR en la Reserva de la Biosfera de Calakmul y Campeche.
  4. Smithsonian Magazine: A Graduate Student Found a Vast, Unknown Maya City Hidden Beneath the Jungle Canopy in Mexico.

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❓Perguntas Frequentes

A descoberta monumental ocorreu quando o arqueólogo Luke Auld-Thomas, enquanto realizava seu doutorado na Universidade de Tulane, navegava pelas páginas profundas de resultados de busca do Google acadêmico à procura de dados topográficos abertos sobre o México. Na página 16 do buscador, o pesquisador localizou um levantamento aeroespacial por LiDAR realizado em 2013 pela Comissão Nacional Florestal do México (CONAFOR) e pela organização The Nature Conservancy, originalmente destinado ao monitoramento da biomassa e dos estoques de carbono florestal do projeto M-REDD+. Ao baixar o conjunto massivo de dados brutos que cobria 122 quilômetros quadrados no centro-leste de Campeche e aplicar filtros computacionais avançados de arqueologia para remover a vegetação de dossel da selva tropical, Auld-Thomas deparou-se com a planta tridimensional completa de uma metrópole desconhecida com 6.674 estruturas pré-hispânicas perfeitamente preservadas sob as copas das árvores.
O processamento tridimensional das nuvens de pontos laser revelou que Valeriana cobria um núcleo urbano contínuo de 16,6 quilômetros quadrados estruturado em torno de dois complexos cívico-ceremoniais monumentais situados a cerca de dois quilômetros de distância um do outro. O complexo principal ostenta pirâmides de templo de até 15 metros de altura no estilo arquitetônico Río Bec, vastas praças muradas para assembleias públicas, plataformas residenciais escalonadas e uma quadra clássica para o ritual do jogo de bola mesoamericano (pitz). Além da arquitetura cerimonial e das habitações de elite, os mapas a laser identificaram calçadas elevadas de pedra (sacbeob) que interligavam os bairros, extensos terraços agrícolas esculpidos nas encostas para cultivo intensivo e uma represa artificial de contenção hídrica (aguada) construída através de um dique de terra que garantia o abastecimento de água potável durante as estiagens.
O achado de Valeriana derruba definitivamente a antiga visão colonial e historiográfica que retratava as terras baixas maias como florestas desabitadas pontuadas apenas por cidades-estados isoladas e distantes entre si. Com uma densidade de 55,3 estruturas por quilômetro quadrado em todo o bloco escaneado e concentrações superiores a centenas de edifícios por quilômetro quadrado em sua zona central, o sítio revelou-se a segunda área urbana mais densa de toda a civilização maia já mapeada por laser, perdendo apenas para a superpotência de Calakmul. A presença de uma população estimada entre 30.000 e 50.000 habitantes entre 750 e 850 d.C. a meros quinze minutos de caminhada de uma rodovia federal moderna comprova que o colapso clássico maia ocorreu em um território hiperurbanizado, onde a exaustão ecológica e megassecas devastaram sociedades densamente populosas e interdependentes. ---

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