Mais de 12.000 civis mortos. Mais de 600 crianças assassinadas. Mais de 19.500 crianças deportadas à força para a Rússia. Mais de 6,5 milhões de refugiados espalhados pelo mundo. Mais de $500 bilhões em destruição. Esses são os números da guerra da Rússia contra a Ucrânia — e o mundo parece ter se acostumado com cada um deles. Este artigo é uma investigação factual sobre o conflito mais devastador da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Aqui, cada número tem um nome, cada estatística tem um rosto, e cada dado é uma vida que foi destruída pela ambição territorial de uma potência nuclear.

Cronologia: Como Tudo Começou
A guerra entre Rússia e Ucrânia não começou em 24 de fevereiro de 2022. Suas raízes são anteriores e profundas, enraizadas em décadas de tensões geopolíticas, disputas territoriais e um projeto imperial russo que Vladimir Putin nunca abandonou.
As Origens (2013-2014)
Em novembro de 2013, o presidente ucraniano Viktor Yanukovych — aliado de Moscou — recusou-se a assinar um acordo de associação com a União Europeia. A decisão desencadeou protestos massivos em Kiev, conhecidos como Euromaidan ou Revolução da Dignidade. Por três meses, milhões de ucranianos ocuparam a Praça da Independência exigindo um futuro europeu. Em fevereiro de 2014, após uma repressão violenta que matou mais de 100 manifestantes (os chamados "Heavenly Hundred"), Yanukovych fugiu para a Rússia.
A resposta de Putin foi imediata e brutal:
- Março de 2014: Militares russos sem insígnias (os "homenzinhos verdes") ocuparam a Crimeia. Um referendo fraudulento — não reconhecido pela comunidade internacional — foi usado como pretexto para a anexação ilegal da península
- Abril de 2014: Separatistas pró-Rússia, armados e financiados por Moscou, tomaram edifícios governamentais em Donetsk e Luhansk, no leste da Ucrânia (região do Donbas)
- Julho de 2014: O voo MH17 da Malaysia Airlines foi abatido por um míssil BUK russo sobre o leste da Ucrânia, matando 298 pessoas — incluindo 80 crianças. Investigações internacionais confirmaram que o míssil veio de uma brigada militar russa
A Guerra Silenciosa (2014-2022)
Entre 2014 e 2022, uma guerra de "baixa intensidade" consumiu o Donbas. Os Acordos de Minsk (2014 e 2015) tentaram estabelecer um cessar-fogo, mas nunca foram plenamente respeitados por nenhuma das partes. Nesse período, aproximadamente 14.000 pessoas morreram — uma tragédia que o mundo tratou como uma nota de rodapé nas notícias internacionais.
A Ucrânia vivia em um limbo: nem em paz, nem oficialmente em guerra. Putin usou esses anos para modernizar seu exército, testar a reação do Ocidente e preparar o terreno político para o que viria a seguir.
O Discurso que Anunciou a Invasão
Em 21 de fevereiro de 2022, Putin fez um pronunciamento televisivo de uma hora em que negou a existência da Ucrânia como nação independente. Chamou-a de "criação artificial" de Lenin, afirmou que ucranianos e russos eram "um povo" e reconheceu a independência das autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Luhansk. Três dias depois, às 5h da manhã de 24 de fevereiro de 2022, mísseis russos atingiram cidades em toda a Ucrânia. A maior guerra na Europa desde 1945 havia começado.
A Invasão Total: Fevereiro de 2022 a Hoje
Fase 1: O Blitz Fracassado (Fevereiro-Março 2022)
Putin planejou tomar Kiev em três dias. Seu plano dependia de uma ofensiva relâmpago com três frentes simultâneas: norte (Belarus → Kiev), leste (Donbas) e sul (Crimeia → Kherson/Mariupol). A suposição era que o governo ucraniano colapsaria rapidamente e o presidente Volodymyr Zelensky fugiria.
O plano falhou espetacularmente:
| Expectativa Russa | Realidade |
|---|---|
| Tomar Kiev em 3 dias | Coluna blindada de 60 km atolou ao norte de Kiev |
| Governo colapsa | Zelensky recusa asilo: "Preciso de munição, não de carona" |
| Exército ucraniano se rende | Resistência feroz, uso eficaz de Javelins e NLAWs |
| População recebe russos | Civis bloqueiam tanques com as próprias mãos |
| OTAN não intervém | OTAN envia bilhões em armas e inteligência |
O aeroporto de Hostomel, próximo a Kiev, tornou-se símbolo da resistência: forças especiais russas pousaram de helicóptero para tomar a base, mas foram rechaçadas por tropas ucranianas em combates corpo a corpo que duraram dias.
Fase 2: A Retirada e os Massacres (Abril 2022)
Forçada a recuar do norte da Ucrânia, a Rússia deixou para trás cenas que chocaram o mundo. Quando jornalistas e tropas ucranianas entraram em Bucha, um subúrbio de Kiev, encontraram:
- Corpos de civis executados com as mãos amarradas às costas, jogados nas ruas
- Valas comuns com dezenas de corpos
- Evidências de tortura sistemática — dentes arrancados, queimaduras, fraturas
- Mulheres violentadas — incluindo menores de idade
- Casas saqueadas e destruídas
- 458 civis mortos confirmados apenas em Bucha
Imagens de satélite da Maxar Technologies confirmaram que os corpos estavam nas ruas durante a ocupação russa, desmentindo a alegação de Moscou de que as cenas foram "encenadas". A Procuradoria-Geral da Ucrânia documentou cada caso. O Tribunal Penal Internacional abriu investigações formais.
Em Irpin, outra cidade-satélite de Kiev, famílias foram metralhadas enquanto tentavam evacuar por pontes improvisadas. Uma das imagens mais icônicas da guerra mostra uma família — mãe, pai e dois filhos — abatida a tiros enquanto carregava malas.
Fase 3: O Cerco de Mariupol (Março-Maio 2022)
A cidade portuária de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, sofreu talvez o cerco mais brutal desde a Segunda Guerra Mundial. Durante quase três meses, forças russas bombardearam a cidade sem trégua, transformando-a em ruínas.
Os eventos mais hediondos:
- Hospital maternidade bombardeado (9 de março): Um ataque aéreo direto contra uma maternidade funcional. Imagens de uma grávida sendo carregada em uma maca ensanguentada rodaram o mundo. Ela e seu bebê morreram depois
- Teatro de Mariupol (16 de março): Centenas de civis — majoritariamente mulheres e crianças — se abrigavam no teatro da cidade. A palavra "ДЕТИ" (CRIANÇAS, em russo) foi escrita em letras gigantes no chão, visíveis por satélite. O edifício foi bombardeado mesmo assim. Estimativas indicam que 600 pessoas morreram
- Usina de Azovstal: Os últimos defensores de Mariupol — soldados do Regimento Azov e fuzileiros navais — resistiram por semanas nos túneis subterrâneos da usina siderúrgica, juntamente com civis. Após negociações, os sobreviventes se renderam em maio de 2022
Estimativas indicam que entre 22.000 e 25.000 civis morreram em Mariupol. A cidade, que tinha 450.000 habitantes antes da guerra, foi praticamente destruída — mais de 90% dos edifícios residenciais foram danificados ou destruídos.
Fase 4: Contra-ofensivas Ucranianas (2022-2023)
No outono de 2022, a Ucrânia surpreendeu o mundo com contra-ofensivas bem-sucedidas:
- Setembro 2022: Ofensiva de Kharkiv — Ucrânia retomou mais de 12.000 km² em poucos dias
- Novembro 2022: Retomada de Kherson — a única capital regional que a Rússia havia conseguido capturar
- 2023: Contra-ofensiva no sul e leste com resultados limitados — as defesas russas (campos minados, trincheiras de 3 linhas) provaram ser extremamente difíceis de penetrar
Fase 5: Guerra de Atrito e Situação Atual (2024-2026)
A guerra transformou-se em um conflito de desgaste, com semelhanças perturbadoras com a Primeira Guerra Mundial:
| Métrica | Situação Atual (Fev 2026) |
|---|---|
| Território ucraniano ocupado | ~18% (incluindo Crimeia) |
| Linha de frente | ~1.200 km de trincheiras |
| Tipo de combate | Drones, artilharia, trincheiras |
| Ofensivas russas | Tentativas constantes no leste (Donetsk) |
| Contra-ofensivas ucranianas | Operações pontuais, incluindo Kursk (território russo) |
| Negociações de paz | Estagnadas; posições irreconciliáveis |
Os Números que o Mundo Ignora
Vítimas Civis
Os números oficiais da ONU (OHCHR) são reconhecidamente subestimados, pois a organização só contabiliza mortes que consegue verificar individualmente. Os números reais são significativamente maiores.
| Categoria | Confirmado ONU | Estimativa Real |
|---|---|---|
| Civis mortos | 12.006+ | 30.000-50.000+ |
| Civis feridos | 24.614+ | 50.000+ |
| Crianças mortas | 614+ | 1.000+ |
| Crianças feridas | 1.421+ | 3.000+ |
| Idosos mortos | 3.200+ | Não disponível |
A discrepância entre os números da ONU e as estimativas reais é particularmente gritante em cidades como Mariupol, onde a destruição foi tão completa que a contagem de mortos permanece impossível. Muitos corpos ainda estão sob os escombros.
Crianças: As Vítimas Mais Indefesas
Os dados sobre crianças são especialmente perturbadores:
- 614+ crianças mortas confirmadas pela Procuradoria-Geral da Ucrânia
- 1.421+ crianças feridas com sequelas físicas e psicológicas
- 19.546 crianças deportadas para a Rússia (número confirmado; a Ucrânia alega que o número real pode chegar a 700.000)
- 388 crianças atingidas por ataques a escolas
- 3.798 instituições educacionais danificadas ou destruídas
- 2 em cada 3 crianças ucranianas foram deslocadas de suas casas em algum momento durante a guerra
A deportação de crianças é particularmente sinistra. O governo russo criou programas de "adoção" para crianças ucranianas deportadas, dando-lhes nomes russos, cidadania russa e colocando-as com famílias russas — muitas vezes sem o conhecimento ou consentimento dos pais biológicos. A comissária russa para direitos da criança, Maria Lvova-Belova, chegou a se gabar em entrevista de ter "adotado" uma criança ucraniana de Mariupol. Essa declaração tornou-se uma das bases para o mandado de prisão do TPI.
Perdas Militares
As perdas militares são difíceis de confirmar, pois ambos os lados ocultam seus números reais. Estimativas de inteligência ocidental (EUA, Reino Unido) sugerem:
| Lado | Mortos (estimativa) | Feridos (estimativa) | Prisioneiros |
|---|---|---|---|
| Rússia | 120.000-200.000+ | 300.000-400.000+ | Milhares |
| Ucrânia | 80.000-100.000+ | 200.000-300.000+ | Milhares |
Essas estimativas incluem forças regulares, mercenários do Grupo Wagner, voluntários e tropas das repúblicas separatistas. Se confirmados, os números russos fariam deste conflito o mais letal para a Rússia desde a Segunda Guerra Mundial — superando em muito as perdas soviéticas no Afeganistão (15.000 mortos em 10 anos).
Refugiados e Deslocados
A crise humanitária provocada pela guerra é a maior na Europa desde 1945:
| Categoria | Número | Contexto |
|---|---|---|
| Refugiados fora da Ucrânia | 6,5 milhões | Principalmente Polônia, Alemanha, Tchéquia |
| Deslocados internos | 3,7 milhões | Dentro da Ucrânia |
| Total afetados | 17,6 milhões | Necessitam assistência humanitária |
| Casas destruídas/danificadas | 2 milhões+ | Edifícios residenciais |
| Total de ucranianos impactados | ~60% da população | 26 milhões de pessoas |
Antes da guerra, a Ucrânia tinha 44 milhões de habitantes. Aproximadamente 15% da população deixou o país. A maioria dos refugiados (cerca de 90%) são mulheres e crianças, já que homens entre 18 e 60 anos estão proibidos de deixar o país por causa da mobilização militar.
Destruição de Infraestrutura
A estratégia russa de atacar deliberadamente infraestrutura civil — especialmente durante os invernos rigorosos — é amplamente documentada:
| Alvo | Destruição |
|---|---|
| Rede elétrica | 50%+ danificada em ataques de inverno |
| Hospitais | 1.200+ atacados ou danificados |
| Escolas | 3.798+ danificadas ou destruídas |
| Pontes | 300+ destruídas |
| Patrimônio cultural | 1.000+ sítios culturais danificados |
| Terras agrícolas | Milhões de hectares contaminados por minas |
| Dano econômico total | $500+ bilhões (estimativa Banco Mundial) |
Os Massacres Documentados: Provas que Não Podem Ser Ignoradas
A guerra na Ucrânia é talvez o conflito mais documentado da história humana. Imagens de satélite, vídeos de drones, interceptações de comunicações russas, depoimentos de sobreviventes e investigações forenses internacionais criaram um registro irrefutável de crimes de guerra.
Bucha — A Descoberta do Horror
Quando as forças ucranianas retomaram Bucha em 1º de abril de 2022, o mundo viu:
- Corpos de civis espalhados pelas ruas, alguns com mãos amarradas e tiros na nuca
- Valas comuns no quintal de uma igreja
- Porões transformados em câmaras de tortura — com cadeiras elétricas improvisadas
- Evidências de violência sexual sistemática contra mulheres e meninas
- Saques generalizados — até máquinas de lavar foram roubadas
Satelites da Maxar Technologies flagraram os corpos nas ruas semanas antes da retirada russa, demolindo a narrativa de Moscou de que as imagens foram forjadas.
Kramatorsk — O Míssil com a Inscrição "Para as Crianças"
Em 8 de abril de 2022, um míssil balístico Tochka-U atingiu a estação ferroviária de Kramatorsk no momento em que milhares de civis tentavam evacuar. O ataque matou 61 pessoas — incluindo crianças — e feriu mais de 100. No corpo do foguete, havia uma inscrição em russo: "За детей" ("Pelas crianças") — uma referência cínica que os soldados russos usavam como "resposta" às acusações de matar crianças ucranianas.
Dnipro — O Edifício Residencial
Em 14 de janeiro de 2023, um míssil de cruzeiro russo Kh-22 — projetado para destruir porta-aviões — atingiu um edifício residencial de 9 andares em Dnipro. Seções inteiras do prédio desabaram. 46 pessoas morreram, incluindo 6 crianças. Uma delas — Liza, de apenas 1 ano — foi retirada dos escombros sem vida, nos braços de um bombeiro.
Ataques à Rede Elétrica — Terror no Inverno
A partir de outubro de 2022, a Rússia lançou campanhas sistemáticas de mísseis e drones contra a infraestrutura energética ucraniana. O objetivo era claro: congelar a população civil durante o inverno, quando as temperaturas caem a -20°C ou menos. Em dezembro de 2022, mais de 10 milhões de ucranianos ficaram sem eletricidade, aquecimento ou água corrente no meio do inverno.
A estratégia se repetiu nos invernos de 2023-2024 e 2024-2025, cada vez com ataques mais sofisticados combinando mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones kamikaze iranianos Shahed-136.
A Justiça Internacional: Putin Pode Ser Preso?
O Mandado do TPI
Em 17 de março de 2023, o Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia emitiu mandados de prisão contra Vladimir Putin e Maria Lvova-Belova por deportação ilegal de crianças ucranianas — um crime de guerra sob o Estatuto de Roma. Foi a primeira vez na história que um chefe de Estado de uma potência nuclear com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU foi indiciado por crimes de guerra.
O mandado obriga todos os 124 países membros do TPI a prender Putin caso ele entre em seu território. Na prática, isso transformou Putin em um pária internacional — ele cancelou viagens à África do Sul, Mongólia e outros países membros do TPI por medo de ser detido.
Crimes Documentados que Podem ser Julgados
| Crime | Base Legal | Evidência |
|---|---|---|
| Deportação de crianças | Art. 8 Estatuto de Roma | Declarações da própria Lvova-Belova |
| Ataques a civis | Convenções de Genebra | Imagens de satélite, vídeos, perícias |
| Tortura | Art. 7 Estatuto de Roma | Testemunhos, autópsias, relatórios da ONU |
| Violência sexual | Resoluções do CSNU | Depoimentos, perícias forenses |
| Destruição de infraestrutura civil | Direito Internacional Humanitário | Documentação massiva |
| Crime de agressão | Art. 8bis Estatuto de Roma | A invasão em si |
Precedentes Históricos
Líderes que foram julgados por tribunais internacionais:
| Líder | País | Tribunal | Resultado |
|---|---|---|---|
| Slobodan Milošević | Sérvia | TPIY | Morreu no julgamento (2006) |
| Charles Taylor | Libéria | TESL | Condenado a 50 anos |
| Omar al-Bashir | Sudão | TPI | Mandado de prisão (ainda foragido) |
| Radovan Karadžić | Bósnia | TPIY | Condenado a prisão perpétua |
| Vladimir Putin | Rússia | TPI | Mandado de prisão (março 2023) |
A diferença crucial: nenhum dos anteriores era líder de uma potência nuclear com poder de veto na ONU e um arsenal de 5.580 ogivas nucleares.
Cenários Possíveis
| Cenário | Probabilidade | Obstáculo |
|---|---|---|
| Putin preso em viagem | Baixa | Ele viaja apenas para países aliados |
| Mudança de regime na Rússia | Possível a longo prazo | Quem o suceder entregaria ele? |
| Tribunal especial para agressão | Em discussão | Precisa de apoio político amplo |
| Julgamento in absentia | Improvável | TPI não julga à revelia |
| Congelamento de ativos | Em curso | ~$300 bilhões russos congelados |
| Impunidade permanente | Possível | Mas precedente fica registrado |
Por que a Rússia Quer Mais Território?
A questão que muitos se fazem é simples: por que? A Rússia já é o maior país do mundo em área territorial. Por que invadir um vizinho, matar dezenas de milhares de pessoas e arriscar uma guerra global?
As Motivações de Putin
| Motivação | Explicação Detalhada |
|---|---|
| Buffer geográfico | Putin quer impedir que a OTAN chegue às fronteiras russas — especialmente após a adesão da Finlândia e Suécia à aliança |
| Recursos naturais | O Donbas tem vastas reservas de carvão e aço. Reservas de gás natural foram descobertas na plataforma continental da Crimeia e no Mar Negro |
| Corredor terrestre | A Rússia precisava de uma conexão terrestre entre seu território e a Crimeia (ponte de Kerch é vulnerável) |
| Água para a Crimeia | A Ucrânia bloqueou o Canal do Norte da Crimeia em 2014, causando crise hídrica na península |
| Legado imperial | Putin vê a Ucrânia como parte histórica da Rússia e nega abertamente a existência de uma nação ucraniana independente |
| Controle do Mar Negro | Dominar a costa sul da Ucrânia daria à Rússia controle quase total sobre o Mar Negro |
| Mensagem geopolítica | Demonstrar que os EUA e a OTAN não podem impedir a expansão de influência russa |
O Paradoxo: A Guerra Fortaleceu a OTAN
Ironicamente, a invasão produziu resultados exatamente opostos ao que Putin desejava:
- Finlândia e Suécia aderiram à OTAN, adicionando 1.340 km de fronteira OTAN-Rússia
- Gastos militares europeus aumentaram drasticamente
- Dependência europeia do gás russo caiu de 45% para menos de 15%
- Ucrânia está mais unida e mais pró-Ocidente do que em qualquer momento da história
- Economia russa sofreu centenas de bilhões em sanções
Por que o Mundo Se Cala?
A pergunta mais dolorosa: por que o mundo permite que isso continue?
Os Fatores do Silêncio
Medo nuclear: A Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo (5.580 ogivas). Qualquer confronto direto OTAN-Rússia poderia escalar para o apocalipse. Esse medo paralisa a ação decisiva
Interesses econômicos: China, Índia, Turquia e dezenas de países africanos mantêm relações comerciais com a Rússia. O petróleo russo continua sendo comprado, financiando a máquina de guerra
Veto na ONU: A Rússia tem poder de veto no Conselho de Segurança, bloqueando qualquer resolução vinculante. O sistema de governança global falhou estruturalmente
Fadiga de guerra: Após quatro anos de conflito, a cobertura midiática diminuiu. As manchetes deram lugar a outros temas. A atenção pública se dispersou
Duplo padrão: Conflitos no Iêmen, Síria, Etiópia e Myanmar recebem ainda menos atenção, revelando uma hierarquia não declarada de sofrimento humano
Polarização política: Em muitos países, o debate sobre a Ucrânia tornou-se uma questão partidária, minando a solidariedade
O que Cada Pessoa Pode Fazer
A guerra na Ucrânia não é um problema distante — é um teste para a humanidade. Cada pessoa pode contribuir:
- Informar-se: Ler fontes verificadas e não se deixar levar por desinformação
- Compartilhar: Cada vez que um artigo como este é compartilhado, o silêncio é quebrado
- Doar: Organizações como UNICEF, Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras e United24 prestam assistência direta
- Pressionar representantes: Cobrar posicionamento de políticos eleitos
- Apoiar refugiados: Comunidades locais podem acolher famílias ucranianas
- Combater a desinformação: Não compartilhar narrativas sem verificação — a propaganda é uma arma de guerra
Conclusão: Os Números Têm Nome
Cada um dos 12.006 civis mortos tinha um nome. Cada uma das 614 crianças assassinadas tinha sonhos. Cada um dos 6,5 milhões de refugiados deixou para trás uma vida inteira. Os números desta guerra não são abstrações estatísticas — são vidas humanas destruídas por uma decisão política de um homem que acredita ter o direito de redesenhar as fronteiras da Europa à força.
O mundo assistiu ao Holocausto e disse "nunca mais". Assistiu a Ruanda e disse "nunca mais". Assistiu à Bósnia e disse "nunca mais". E agora assiste à Ucrânia. A pergunta que cada um de nós deve se fazer é: quantas vezes vamos dizer "nunca mais" antes que "nunca mais" signifique nunca mais de verdade?
A guerra na Ucrânia não é uma questão de política — é uma questão de humanidade. E o silêncio diante dela é, em si, uma escolha. Uma escolha que a história julgará.
Se você quer ajudar:
- 🇺🇦 United24 (united24.gov.ua) — Plataforma oficial do governo ucraniano
- 🏥 Médicos Sem Fronteiras (msf.org.br) — Atendimento médico de emergência
- 🧒 UNICEF (unicef.org/brazil) — Proteção de crianças
- ❤️ Cruz Vermelha (icrc.org) — Assistência humanitária
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Perguntas Frequentes
Quantas pessoas morreram na guerra da Ucrânia até 2026?
A ONU confirmou mais de 12.006 civis mortos e 24.614 feridos, mas os números reais são significativamente maiores — estimativas apontam para 30.000-50.000 civis mortos. As perdas militares combinadas (Rússia + Ucrânia) podem ultrapassar 500.000 entre mortos e feridos.
Quantas crianças foram mortas pela Rússia na Ucrânia?
A Procuradoria-Geral da Ucrânia confirmou mais de 614 crianças mortas e 1.421 feridas. Além disso, mais de 19.500 crianças foram deportadas à força para a Rússia — um crime de guerra que resultou no mandado de prisão contra Putin pelo TPI.
Putin pode ser preso?
Legalmente, sim. O TPI emitiu mandado de prisão em março de 2023. Na prática, Putin evita viajar para os 124 países membros do TPI. A prisão dependeria de uma mudança de regime na Rússia ou de Putin cometer o erro de pisar em território de um país membro do TPI.
A guerra na Ucrânia pode levar à Terceira Guerra Mundial?
O risco existe, mas é considerado baixo por analistas. O principal fator de contenção é o arsenal nuclear mútuo (destruição mutuamente assegurada). A OTAN evita confronto direto com a Rússia, fornecendo armas à Ucrânia sem engajar diretamente suas tropas.
Por que a Rússia invadiu a Ucrânia?
As motivações incluem: impedir a aproximação da Ucrânia com a OTAN, controlar recursos naturais do Donbas e do Mar Negro, garantir acesso à Crimeia por terra, e a visão imperial de Putin de que a Ucrânia não é uma nação independente legítima.
Fontes: ONU — OHCHR (Office of the High Commissioner for Human Rights), Tribunal Penal Internacional (TPI), Procuradoria-Geral da Ucrânia, UNICEF, ACNUR, Human Rights Watch, Amnistia Internacional, Banco Mundial, Maxar Technologies, Institute for the Study of War (ISW), OSCE, NATO, BBC, Reuters, Associated Press. Dados atualizados até fevereiro de 2026.





