O Brasil registrou 90 casos confirmados de Mpox nos primeiros dois meses de 2026, com o Ministério da Saúde classificando 8 estados em "atenção máxima". Uma nova variante global do vírus foi identificada internacionalmente, embora sua presença no território brasileiro ainda não tenha sido confirmada. São Paulo concentra a maioria das infecções, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e estados do Sul.
Embora os números estejam significativamente abaixo dos registrados no mesmo período de 2025 — quando o Brasil contabilizou 1.079 casos e duas mortes —, a circulação contínua do vírus e a emergência de uma nova variante potencialmente mais transmissível mantêm as autoridades de saúde em alerta. Este artigo apresenta tudo o que você precisa saber: o que é o Mpox, como se proteger, quais são os sintomas, e o que os especialistas estão dizendo.
O Que é o Mpox: Entendendo o Vírus
Origem e Classificação
O Mpox (anteriormente chamado de "varíola dos macacos") é uma doença viral causada pelo Monkeypox virus (MPXV), pertencente ao gênero Orthopoxvirus da família Poxviridae — a mesma família do vírus da varíola humana, erradicada em 1980.
Apesar do nome popular, o vírus não tem relação exclusiva com macacos. Ele foi identificado pela primeira vez em 1958 em colônias de primatas mantidas em laboratório na Dinamarca, mas seu reservatório natural são roedores africanos. O primeiro caso humano foi registrado em 1970 na República Democrática do Congo.
Os Clados (Variantes) do Mpox
O vírus Mpox se divide em dois clados principais:
| Clado | Origem | Letalidade | Notas |
|---|---|---|---|
| Clado I | Bacia do Congo | 3-10% | Mais grave, inclui o subclade Ib que causou surto na África em 2024 |
| Clado II | África Ocidental | <1% | Responsável pelo surto global de 2022-2023 e pela maioria dos casos no Brasil |
A nova variante global identificada em 2026 é uma mutação do Clado II que apresenta características de transmissibilidade potencialmente elevada, embora os dados iniciais sugiram que a gravidade clínica permanece similar.

A Situação no Brasil: Números e Distribuição
Panorama Geral (Janeiro-Fevereiro 2026)
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Casos confirmados | 90 |
| Óbitos | 0 |
| Casos suspeitos em investigação | 180+ |
| Estados com casos | 8 |
| Estados em "atenção máxima" | 8 |
| Comparação 2025 (mesmo período) | 1.079 casos, 2 mortes |
A redução significativa em relação a 2025 é uma boa notícia, mas a circulação contínua do vírus indica que ele se estabeleceu endemicamente no Brasil — ou seja, não desapareceu e provavelmente não desaparecerá sem intervenção ativa.
Distribuição por Estado

| Estado | Nível de Alerta | Concentração |
|---|---|---|
| São Paulo | 🔴 Atenção Máxima | Maior concentração |
| Rio de Janeiro | 🔴 Atenção Máxima | Alta |
| Minas Gerais | 🔴 Atenção Máxima | Moderada |
| Paraná | 🔴 Atenção Máxima | Moderada |
| Santa Catarina | 🔴 Atenção Máxima | Moderada |
| Rio Grande do Sul | 🔴 Atenção Máxima | Moderada |
| Rondônia | 🔴 Atenção Máxima | Baixa |
| Distrito Federal | 🔴 Atenção Máxima | Baixa |
Sintomas: Como Reconhecer o Mpox
Progressão Típica
O período de incubação do Mpox varia de 5 a 21 dias. Os sintomas se manifestam em duas fases distintas:
Fase 1 — Invasão (0-5 dias):
- Febre alta (acima de 38,5°C)
- Dor de cabeça intensa
- Linfonodomegalia (inchaço dos gânglios linfáticos) — este é um diferencial importante em relação à varíola e catapora
- Dores musculares e nas costas
- Fadiga extrema
- Calafrios
Fase 2 — Erupção cutânea (1-3 dias após a febre):
As lesões seguem uma progressão bem definida, passando por 5 estágios clínicos:

- Mácula (mancha plana, vermelha) → 2-5mm
- Pápula (elevação sólida) → 3-8mm
- Vesícula (bolha com líquido claro) → 5-10mm
- Pústula (bolha com pus) → 6-12mm
- Crosta (casca seca que eventualmente cai)
Quando Procurar Ajuda Médica
Procure atendimento médico imediatamente se você apresentar:
- Erupções cutâneas inexplicáveis, especialmente com bolhas ou pústulas
- Febre alta acompanhada de inchaço nos gânglios
- Lesões na região genital, perianal, rosto ou mãos
- Contato recente com alguém diagnosticado com Mpox
Transmissão: Como o Vírus se Espalha
Formas de Transmissão
| Via de Transmissão | Risco | Detalhes |
|---|---|---|
| Contato pele-a-pele | 🔴 Alto | Contato direto com lesões, crostas ou fluidos corporais |
| Contato sexual | 🔴 Alto | Principal via de transmissão no surto de 2022-2026 |
| Roupas e superfícies contaminadas | 🟡 Moderado | Roupas de cama, toalhas, objetos pessoais do infectado |
| Gotículas respiratórias | 🟡 Moderado | Contato face-a-face prolongado (>3 horas) |
| Mãe para filho | 🟡 Moderado | Transmissão vertical durante gravidez ou parto |
| Animal para humano | 🟢 Baixo | Contato com roedores em regiões endêmicas |
Período de Contagiosidade
A pessoa com Mpox é contagiosa desde o aparecimento dos primeiros sintomas até que todas as crostas tenham caído e uma nova camada de pele tenha se formado por baixo. Este período pode durar de 2 a 4 semanas.
Prevenção: Como se Proteger
Medidas Individuais
- Evite contato pele-a-pele com pessoas que apresentem erupções cutâneas suspeitas
- Higiene das mãos — lave com água e sabão ou use álcool gel após contato com superfícies públicas
- Não compartilhe objetos pessoais (toalhas, roupas de cama, utensílios) com pessoas infectadas
- Use preservativos — reduzem (mas não eliminam) o risco de transmissão sexual
- Proteja cortes e arranhões — mantenha feridas cobertas
- Isolamento — se diagnosticado, isole-se até que todas as lesões cicatrizem completamente
Vacinação

A vacina JYNNEOS (também conhecida como Imvanex na Europa) é aprovada para prevenção de Mpox. No Brasil, a vacinação está disponível para:
- Profissionais de saúde em contato com casos confirmados
- Pessoas com exposição de alto risco
- Pessoas vivendo com HIV/AIDS
- Contactantes próximos de casos confirmados
O esquema vacinal completo consiste em 2 doses com intervalo de 28 dias. A eficácia é estimada em 85% na prevenção de infecção sintomática.
A Nova Variante: O Que Sabemos
Características da Nova Mutação
A nova variante global do Mpox identificada em 2026 apresenta:
- Mutações na proteína de superfície que podem aumentar a afinidade por receptores celulares humanos
- Período de incubação potencialmente mais curto (média de 7 dias vs. 12 dias na variante anterior)
- Possível resistência parcial a anticorpos gerados pela vacina JYNNEOS (dados preliminares)
- Gravidade clínica semelhante — não parece causar doença mais grave
A Situação Global
O surgimento desta nova variante gerou preocupação na OMS e em agências de saúde do mundo inteiro. Casos foram confirmados em mais de 15 países, com maior concentração na Europa Ocidental e América do Norte. No Brasil, até o momento, não há confirmação laboratorial da presença desta variante específica — mas autoridades alertam que é questão de tempo.

Tratamento: O Que Fazer Se Você For Infectado
Tratamento Padrão
Não existe tratamento antiviral específico aprovado exclusivamente para Mpox. O manejo é predominantemente de suporte:
- Analgésicos e antitérmicos para febre e dor (paracetamol, ibuprofeno)
- Hidratação abundante
- Cuidado com as lesões — manter limpas e secas, evitar coçar
- Isolamento até cicatrização completa
- Monitoramento de complicações — infecções bacterianas secundárias nas lesões
Antivirais em Casos Graves
Em casos graves (imunossuprimidos, crianças, gestantes), o tecovirimat (TPOXX) pode ser prescrito sob uso compassivo. Este antiviral, originalmente desenvolvido para varíola, demonstrou eficácia contra o Mpox em estudos clínicos, embora os resultados variem.
Mpox x Varíola x Catapora: Como Diferenciar
Uma dúvida comum é como distinguir o Mpox de outras doenças com erupções cutâneas:
| Característica | Mpox | Varíola | Catapora |
|---|---|---|---|
| Gânglios inchados | ✅ Sim (diferencial) | ❌ Não | ❌ Não |
| Distribuição das lesões | Rosto, mãos, pés, genitais | Generalizada, uniforme | Tronco principalmente |
| Estágio das lesões | Todas no mesmo estágio | Todas no mesmo estágio | Múltiplos estágios simultâneos |
| Febre antes das lesões | ✅ 1-5 dias antes | ✅ 2-4 dias antes | ✅ 1-2 dias antes |
| Duração | 2-4 semanas | 3-4 semanas | 4-7 dias |
| Letalidade | <1% (Clado II) | ~30% (erradicada) | <0,01% |
Impacto Social e Estigma
O Problema do Estigma
Desde o surto de 2022, o Mpox enfrentou um problema significativo de estigma social. A associação inicial da doença com homens que fazem sexo com homens (HSH) gerou discriminação e preconceito que dificultaram a resposta de saúde pública.
É crucial entender que:
- O Mpox pode infectar qualquer pessoa, independente de orientação sexual, gênero ou idade
- A transmissão ocorre por contato próximo, não é exclusiva de relações sexuais
- Crianças, idosos e imunossuprimidos estão entre os grupos mais vulneráveis
- O estigma impede que pessoas busquem atendimento — prejudicando o diagnóstico precoce e a contenção
O Que Dizem os Especialistas Brasileiros
O Ministério da Saúde classifica a situação como "sob controle, mas exigindo vigilância contínua". A Associação Paulista de Medicina (APM) recomenda que profissionais de saúde mantenham alto índice de suspeição para lesões cutâneas atípicas.
Especialistas em epidemiologia alertam que a combinação de circulação contínua do Clado II com a possível chegada de uma nova variante global exige uma abordagem proativa — incluindo ampliação da vacinação, testagem rápida e comunicação pública transparente.
Conclusão: Vigilância Sem Pânico
Com 90 casos confirmados e zero óbitos, a situação do Mpox no Brasil em 2026 é preocupante, mas não alarmante. Os números são dramaticamente menores do que em 2025. No entanto, a circulação contínua do vírus e a emergência de novas variantes exigem atenção constante.
A melhor defesa é informação de qualidade. Saiba reconhecer os sintomas, entenda como se proteger, e procure atendimento médico se suspeitar de infecção. O Mpox é tratável, prevenível e, com as medidas corretas, controlável.
Referências e Fontes
- Ministério da Saúde — Boletim Epidemiológico Mpox
- Agência Brasil (EBC) — 88 casos confirmados de Mpox
- Jovem Pan — Mpox: 90 casos e alerta em 8 estados
- Revista Veja (Abril) — Nova variante global de Mpox
- CNN Brasil — Ministério da Saúde sobre Mpox 2026
- O Globo — Mpox em São Paulo: maioria dos casos
- OMS — Mpox: fact sheet atualizado
- Estadão — Situação epidemiológica Mpox





