A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou a autorização formal para o início de ensaios clínicos de Fase I e IIa com a polilaminina em seres humanos acometidos por traumatismo raquimedular agudo e subagudo. Desenvolvida no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a molécula consiste em uma conformação polimérica de laminina desenhada para criar um microambiente permissivo à regeneração axonal na medula espinhal. O marco regulatório autoriza a aplicação cirúrgica direta da substância no epicentro da lesão de pacientes internados em centros de neurotrauma no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A decisão sanitária responde a uma das mais complexas demandas da medicina regenerativa contemporânea, visto que o tecido neural adulto do sistema nervoso central humano é naturalmente incapaz de restabelecer conexões axônicas após rupturas traumáticas. No Brasil, estimativas epidemiológicas apontam para mais de quarenta mil indivíduos vivendo com tetraplegia ou paraplegia decorrente de acidentes automobilísticos, quedas de altura e ferimentos por arma de fogo. A polilaminina atua como uma ponte molecular tridimensional capaz de neutralizar os sinais inibitórios da cicatriz glial, permitindo que os prolongamentos dos neurônios motores cruzem a zona da lesão.
Os ensaios pré-clínicos realizados em modelos animais de roedores e primatas não-humanos comprovaram recuperação motora expressiva, com restabelecimento de potenciais evocados motores e recuperação de marcha funcional sem evidência de citotoxicidade ou formação de teratomas. A autorização concedida pela agência reguladora brasileira posiciona a pesquisa científica nacional na vanguarda das terapias de bioengenharia tecidual para patologias neurológicas graves. A fase clínica inicial será orientada prioritariamente para confirmar o perfil de segurança e farmacocinética em seres humanos antes de qualquer ampliação de escala terapêutica.







