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Tempestade de Poeira do Saara Atinge o Brasil

📅 2026-02-26⏱️ 16 min de leitura📝

Resumo Rápido

Nuvem de poeira do deserto do Saara cruza o Atlântico e atinge o Norte e Nordeste do Brasil em 2026. Veja os riscos à saúde e regiões afetadas.

Uma extensa massa de poeira proveniente do deserto do Saara — o maior e mais quente deserto do mundo — está cruzando o Oceano Atlântico e atingindo as regiões Norte e Nordeste do Brasil neste final de fevereiro de 2026. As partículas microscópicas, transportadas por mais de 5.000 quilômetros pelos ventos alísios, elevam as concentrações de material particulado fino (PM2,5 e PM10) no ar brasileiro, provocam alterações visuais no céu e representam riscos reais à saúde de milhões de pessoas. Este não é um evento isolado: a "ponte atmosférica" entre o Saara e a Amazônia é um dos fenômenos naturais mais impressionantes do planeta — mas as mudanças climáticas estão alterando dramaticamente esse equilíbrio, com consequências que podem se agravar nos próximos anos.

Imagem de satélite mostrando a enorme pluma de poeira do deserto do Saara cruzando o Oceano Atlântico em direção ao Brasil

O Que Está Acontecendo Agora: A Pluma de Poeira em Números #

Desde a segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, mapas de previsão atmosférica registram um aumento significativo nas concentrações de material particulado sobre o norte da América do Sul. O pico da concentração ocorreu entre terça (24) e quarta-feira (25), mas os efeitos devem persistir pelo menos até sexta-feira (27).

Dados do evento atual #

Métrica Valor Contexto
Origem da poeira Depressão de Bodélé, Chade, África Antiga bacia de lago, rica em fósseis
Distância percorrida +5.000 km Da África ao Norte do Brasil
Tipo de partícula PM10 e PM2,5 PM2,5 é a mais peocupante
Regiões afetadas Norte e Nordeste do Brasil Amazonas, Pará, Maranhão, Ceará
Pico de concentração 24–25 de fevereiro Efeitos até 27/02 ou mais
Outros países afetados Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia Também Equador, Peru e Bolívia

O que é PM2,5 e por que é tão perigoso? #

O PM2,5 é formado por partículas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrômetros — cerca de 30 vezes menores que um fio de cabelo. Por serem extremamente pequenas, essas partículas conseguem:

  1. Penetrar profundamente nos pulmões, atingindo os alvéolos pulmonares
  2. Atingir a corrente sanguínea, sendo distribuídas pelo organismo
  3. Causar inflamações sistêmicas, afetando coração, cérebro e outros órgãos
  4. Permanecer suspensas por mais tempo, percorrendo milhares de quilômetros

Enquanto as partículas maiores (PM10) tendem a se depositar nas vias aéreas superiores e são parcialmente filtradas pelo nariz, as PM2,5 ultrapassam todas as barreiras de defesa natural do corpo humano. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que não existe concentração segura de PM2,5 — qualquer exposição já aumenta riscos à saúde.

Regiões do Brasil em Alerta: Mapa da Exposição #

Tempestade Saara - Imagem 2

As regiões Norte e Nordeste são as mais expostas à pluma de poeira saariana devido à sua proximidade geográfica com a costa africana e à direção dos ventos alísios de nordeste, que funcionam como uma "esteira rolante atmosférica" transportando as partículas diretamente para o continente sul-americano.

Estados em alerta direto #

Estado Região Nível de exposição Observação
Amazonas Norte Alto Capital Manaus pode registrar queda na qualidade do ar
Pará Norte Alto Belém e interior próximo à foz do Amazonas
Amapá Norte Alto Primeiro a receber a pluma vinda do Atlântico
Roraima Norte Moderado a Alto Boa Vista pode registrar céu turvo
Maranhão Nordeste Alto São Luís e litoral oeste altamente expostos
Piauí Nordeste Moderado Interior pode registrar alterações
Ceará Nordeste Moderado Fortaleza e faixa litorânea
Rio Grande do Norte Nordeste Moderado Natal com possíveis efeitos visuais
Tocantins Norte Moderado Influência indireta pela dispersão regional

Efeitos visuais observáveis #

A chegada da poeira do Saara ao Brasil envolve partículas tão finas que muitas vezes não podem ser vistas a olho nu na Amazônia, sendo detectadas apenas por sensores especializados e imagens de satélite. Porém, em eventos mais intensos, os efeitos se tornam perceptíveis:

  • Céu esbranquiçado ou com tons alaranjados, especialmente no horizonte
  • Redução da visibilidade em dias de tempo firme
  • Pôr do sol com cores mais vibrantes e avermelhadas devido à dispersão da luz pelas partículas em suspensão
  • Ar com aspecto "empoeirado" mesmo sem atividade local de poeira

Riscos à Saúde: Quem Está Mais Vulnerável #

A presença elevada de PM2,5 na atmosfera pode provocar uma série de problemas de saúde, que variam desde incômodos leves até crises graves em populações vulneráveis.

Sintomas mais comuns durante exposição #

  • Ardência nos olhos e lacrimejamento
  • Irritação no nariz e garganta — sensação de queimação
  • Tosse seca persistente
  • Dor de cabeça
  • Falta de ar em atividades físicas
  • Coceira na pele em pessoas sensíveis

Grupos de maior risco #

Grupo Por quê? Recomendação
Crianças (0–12 anos) Sistema imunológico em desenvolvimento, vias aéreas menores Evitar brincadeiras ao ar livre nos dias de pico
Idosos (65+) Capacidade pulmonar reduzida, maior chance de doenças crônicas Manter-se em ambiente fechado com ventilação filtrada
Asmáticos Partículas podem deflagrar crises severas Manter medicação de resgate sempre acessível
Pacientes com DPOC Piora da função respiratória existente Evitar qualquer esforço físico ao ar livre
Cardiopatas PM2,5 na corrente sanguínea pode causar arritmias Monitorar sinais de desconforto torácico
Gestantes Exposição associada a baixo peso ao nascer Limitar tempo ao ar livre, usar máscara se necessário
Trabalhadores ao ar livre Exposição prolongada e maior inalação Usar proteção respiratória adequada (N95 ou equivalente)

Recomendações das autoridades de saúde #

  1. Reduzir atividades ao ar livre, especialmente exercícios físicos intensos
  2. Manter janelas e portas fechadas nos horários de maior concentração
  3. Usar umidificadores de ar em ambientes internos
  4. Beber bastante água para manter as vias respiratórias hidratadas
  5. Usar máscara N95 ou PFF2 se precisar sair durante picos de concentração
  6. Lavar as narinas com soro fisiológico ao retornar para casa
  7. Procurar atendimento médico se apresentar dificuldade respiratória persistente

A Ponte Saara–Amazônia: O Fertilizante Natural Que Cruza o Atlântico #

Apesar dos riscos imediatos à saúde, a poeira do Saara desempenha um papel ecológico essencial para a sobrevivência da Floresta Amazônica. Essa é talvez a parte mais fascinante — e paradoxal — de todo o fenômeno.

De onde vem a poeira? #

A principal fonte da poeira que chega ao Brasil é a Depressão de Bodélé, uma planície no Chade, na África central. Esse local é o leito seco de um antigo lago gigante — o Mega-Chade — que secou há milhares de anos. O sedimento fossilizado de organismos microscópicos (diatomáceas) que viviam nesse lago transformou-se em um depósito riquíssimo de minerais, especialmente fósforo e ferro.

Quando ventos fortes varrem essa planície, o material é erguido a altitudes de 3 a 6 quilômetros e lançado sobre o Oceano Atlântico. A viagem até o Brasil leva entre 5 e 7 dias.

A Amazônia precisa do Saara para sobreviver #

Os solos da Floresta Amazônica são geologicamente antigos e extremamente pobres em nutrientes. Aproximadamente 75% dos solos amazônicos são ácidos, inférteis e deficientes em fósforo — o nutriente mais crítico para o crescimento das plantas, a síntese de DNA e a produção de energia celular.

As chuvas torrenciais da região lavam continuamente esse fósforo do solo e o carregam para os rios. Sem reposição, a floresta perderia gradualmente sua capacidade de sustentação. É aqui que o Saara entra como um aliado improvável.

Os números da fertilização transatlântica #

Dado Valor Contexto
Poeira total transportada/ano ~182 milhões de toneladas Do Saara para o Atlântico
Poeira que chega à Amazônia ~27 milhões de toneladas 15% do total
Fósforo depositado/ano ~22.000 toneladas Na bacia amazônica
Equivalência ≈ fósforo perdido pela chuva Repõe exatamente o que a chuva remove
Outros minerais Ferro, potássio, cálcio Contribuem para a adubação natural

Essa quantidade de fósforo — 22.000 toneladas por ano — é quase exatamente igual à quantidade que a floresta perde pela ação das chuvas e da erosão fluvial. É como se o planeta tivesse criado um sistema de compensação automático entre dois ecossistemas aparentemente desconectados, separados por um oceano inteiro.

Além da fertilização: nucleação de nuvens #

As partículas de poeira do Saara também atuam como núcleos de condensação de nuvens (CCN). Ao carregar minerais para a atmosfera sobre a Amazônia, a poeira influencia diretamente a formação de nuvens e os padrões de precipitação da região. Em certas condições, porém, esse efeito pode se inverter: uma concentração excessiva de partículas pode suprimir a formação de nuvens profundas, inibindo chuvas locais — um efeito paradoxal que os climatologistas monitoram de perto.

O Que Pode Piorar: Cenários de Risco Para o Brasil #

Se a poeira do Saara é um fenômeno natural e anual, por que existe um alerta tão urgente? A resposta está nas mudanças climáticas, que estão alterando três variáveis críticas desse sistema:

1. Mudança no Volume de Poeira Transportada #

Pesquisas do Climate Central e da NASA indicam que o volume de poeira que deixa o Saara depende diretamente das chuvas no Sahel — a faixa semiárida ao sul do deserto. Com o aquecimento global, modelos climáticos projetam aumento de chuvas no Sahel. Isso significa:

  • Mais vegetação no Sahel → Menos solo exposto → Menos poeira gerada
  • Menos fósforo chegando à Amazônia → Depleção gradual de nutrientes do solo
  • Possível declínio na biomassa florestal ao longo de décadas ou séculos

Esse cenário é especialmente preocupante porque a Amazônia já enfrenta pressões simultâneas de desmatamento, queimadas e secas extremas. A redução do aporte mineral do Saara adicionaria mais uma camada de estresse a um ecossistema já fragilizado.

2. Intensificação dos Eventos Extremos de Poeira #

Em contrapartida, quando os eventos de poeira ocorrem, tendem a ser mais intensos e concentrados. As mudanças nos padrões de circulação atmosférica podem gerar episódios de transporte massivo em que concentrações perigosas de PM2,5 chegam ao Brasil em picos agudos, representando riscos maiores para a saúde pública do que a média histórica.

3. A Bomba-Relógio da Desertificação no Nordeste #

O Semiárido brasileiro — que abrange grande parte do Nordeste e partes de Minas Gerais — já enfrenta uma crise de desertificação que afeta mais de 27% do território nacional desde 1990. As áreas atingidas já equivalem ao tamanho da Inglaterra.

Indicador Situação atual
Área em desertificação ~1.340.000 km² (estimativa)
Municípios com clima árido Norte da Bahia e sul de Pernambuco
Temperatura média Em alta, acelerando evaporação
Precipitação Em declínio em várias sub-regiões
Solo produtivo perdido Aumentando anualmente
População afetada Dezenas de milhões de brasileiros

A combinação de poeira do Saara (que pode inibir chuvas locais em certos cenários) com o aquecimento global e o desmatamento local cria uma espiral de degradação que pode transformar áreas antes semiáridas em áreas efetivamente áridas — com consequências devastadoras para a produção de alimentos, o abastecimento de água e a migração forçada de populações.

4. O Ciclo Vicioso: Menos Floresta = Menos Chuva = Mais Desertificação #

As florestas tropicais desempenham um papel crucial na regulação dos sistemas de chuva do Brasil. A Amazônia, em particular, gera parte de sua própria precipitação por meio da evapotranspiração — os chamados "rios voadores" que transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país.

Se a Amazônia perde biomassa (seja por desmatamento, seja por redução da fertilização do Saara), ela produz menos vapor d'água, gerando menos chuva a sotavento. Isso resseca o Cerrado e o Semiárido, que por sua vez se degradam mais, reduzindo ainda mais a umidade regional. É um ciclo de retroalimentação que, uma vez acelerado, pode ser extremamente difícil de reverter.

O Fenômeno na Perspectiva Global: Conexões Intercontinentais #

O transporte de poeira do Saara não é apenas um fenômeno Brasil-África. Ele é uma peça fundamental do sistema climático global, conectando continentes de formas que apenas começamos a compreender.

O Saara alimenta o Caribe, os EUA e até a Europa #

A mesma pluma de poeira que atinge o Brasil também alcança o Caribe, onde é conhecida como "Saharan Air Layer" (SAL). Nos Estados Unidos, a poeira do Saara é rotineiramente detectada na Flórida e no Texas, onde contribui para pores do sol espetaculares mas também para picos de alertas de qualidade do ar.

Na Europa, eventos de poeira saariana transformam o céu de Espanha, Portugal, França e Itália em tons alaranjados, cobrem carros com uma fina camada de areia e provocam alertas de saúde pública.

A conexão atlântica com furacões #

Ironicamente, a poeira do Saara tem um efeito supressor sobre a formação de furacões no Atlântico tropical. As partículas de poeira absorvem radiação solar e aquecem a camada média da atmosfera, criando uma inversão térmica que estabiliza o ar e impede o desenvolvimento vertical necessário para ciclones tropicais. Em anos de intensa atividade de poeira, a temporada de furacões tende a ser mais fraca — e vice-versa.

Com as mudanças climáticas potencialmente reduzindo o volume de poeira a longo prazo, alguns cientistas alertam que isso poderia contribuir para temporadas de furacões mais ativas e devastadoras nas próximas décadas.

O "pulmão" que depende da "poeira" #

A relação Saara–Amazônia é talvez o exemplo mais elegante de interdependência ecológica planetária: o maior deserto do mundo fertiliza a maior floresta tropical do mundo, que por sua vez produz o oxigênio e regula o clima para o planeta inteiro. Quando um elo dessa cadeia se quebra, as consequências se propagam em cascata por todo o sistema terrestre.

Histórico: Eventos Anteriores e Tendências #

A chegada de poeira do Saara ao Brasil não é novidade. O fenômeno ocorre todos os anos, com maior intensidade entre os meses de dezembro e abril, quando os ventos alísios estão mais fortes e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) se desloca para o sul.

Eventos notáveis recentes #

Ano Evento Impacto
2020 Pluma massiva "Godzilla" A maior em 50 anos, atingiu EUA e Caribe com força inédita
2021 Eventos recorrentes de julho Céu alaranjado em São Luís e Belém
2022 Pluma intensa de março Queda de qualidade do ar na Amazônia ocidental
2023 Múltiplos eventos de fevereiro Detectados por satélites GOES e MODIS
2024 Pluma prolongada de janeiro–março Contribuiu para período de seca na Amazônia
2026 Evento atual Fev 23-27, concentrações elevadas sobre Norte e Nordeste

Tendência de longo prazo #

Estudos baseados em dados de satélites da NASA e do sistema Copernicus da Europa indicam que:

  • A quantidade total de poeira transportada do Saara varia significativamente de ano para ano
  • Existe uma correlação inversa com as chuvas no Sahel: anos mais secos no Sahel = mais poeira
  • O transporte para o Atlântico tropical permanece ativo, mas pode diminuir ao longo do século XXI
  • A intensidade dos picos individuais pode aumentar mesmo com redução da média

Monitoramento: Como Acompanhar em Tempo Real #

Para quem deseja acompanhar a evolução da pluma de poeira em tempo real, existem diversas ferramentas disponíveis:

Plataformas de monitoramento #

Plataforma O que mostra Acesso
CAMS (Copernicus) Previsão global de aerossóis atmosphere.copernicus.eu
NASA FIRMS Imagens de satélite da pluma firms.modaps.eosdis.nasa.gov
INPE Monitoramento atmosférico nacional inpe.br
Windy.com Camada de PM2,5 em tempo real windy.com (camada "Aerosol")
IQAir Índice de qualidade do ar por cidade iqair.com
CPTEC/INPE Previsão meteorológica para o Brasil cptec.inpe.br

Índice de Qualidade do Ar (IQAr) #

Classificação PM2,5 (µg/m³) Significado
🟢 Boa 0–12 Sem riscos
🟡 Moderada 12,1–35,4 Sensíveis podem sentir efeitos
🟠 Ruim para sensíveis 35,5–55,4 Grupos de risco devem se proteger
🔴 Ruim 55,5–150,4 Todos devem reduzir atividades externas
🟣 Muito Ruim 150,5–250,4 Alerta de saúde pública
🟤 Perigosa >250,5 Emergência de saúde

Guia de Proteção: O Que Fazer Durante a Passagem da Pluma #

Para a população geral #

  1. Monitore a qualidade do ar usando aplicativos como IQAir ou AirVisual
  2. Evite exercícios ao ar livre nos dias de pico (24–27 de fevereiro)
  3. Mantenha janelas fechadas durante o período de maior concentração
  4. Use o ar-condicionado no modo recirculação (não insuflar ar externo)
  5. Lave roupas expostas no varal durante o período

Para grupos de risco #

  1. Asmáticos: mantenham a "bombinha" sempre acessível e façam uso preventivo conforme orientação médica
  2. Idosos: evitem sair de casa nas primeiras horas da manhã, quando a inversão térmica concentra poluentes
  3. Pais: não levem crianças pequenas para atividades ao ar livre nos dias de pico
  4. Gestantes: consultem o obstetra sobre medidas adicionais de proteção

Para trabalhadores ao ar livre #

  • Agricultores, pedreiros, entregadores: usar máscara PFF2/N95
  • Hidratação reforçada: beber pelo menos 3 litros de água por dia
  • Pausas em ambientes fechados: a cada 2 horas de exposição

A Ciência Por Trás do Fenômeno: Entendendo os Ventos Alísios #

Os ventos alísios são correntes atmosféricas persistentes que sopram de leste para oeste nas latitudes tropicais, entre aproximadamente 30°N e 30°S. São eles os responsáveis por transportar a poeira do Saara através do Atlântico.

Como funciona o transporte #

  1. Geração: Ventos fortes no Saara erguem partículas do solo seco até altitudes de 3–6 km
  2. Elevação: O aquecimento solar cria correntes ascendentes que mantêm a poeira suspensa na Camada de Ar Saariana (SAL), entre 1.500 e 5.500 metros de altitude
  3. Transporte: Os ventos alísios carregam a pluma para oeste, sobre o Atlântico tropical
  4. Chegada: Após 5–7 dias, as partículas mais finas alcançam o norte da América do Sul
  5. Deposição: Parte das partículas se deposita nos solos e rios amazônicos; parte permanece suspensa e se dissipa gradualmente

A Camada de Ar Saariana (SAL) funciona como uma "autoestrada atmosférica" dedicada ao transporte de poeira. Ela é quente e seca, contrastando com o ar úmido tropical abaixo dela — essa diferença de temperatura e umidade é o que mantém a pluma coesa durante milhares de quilômetros.

Conclusão: Um Alerta Que Vai Além da Poeira #

A chegada da poeira do Saara ao Brasil em fevereiro de 2026 é mais do que um fenômeno meteorológico curioso — é um lembrete visceral de como os sistemas climáticos do planeta estão interconectados. A mesma poeira que fertiliza a Amazônia pode prejudicar a saúde de milhões. A mesma mudança climática que pode reduzir o fluxo de fósforo para a floresta pode intensificar a desertificação do Nordeste.

Os cenários de piora são reais:

  • Redução da fertilização amazônica a longo prazo por mudanças nas chuvas do Sahel
  • Intensificação dos picos de material particulado, com riscos mais agudos para a saúde
  • Aceleração da desertificação no Semiárido brasileiro
  • Enfraquecimento dos "rios voadores" que irrigam o Centro-Sul do Brasil
  • Possível aumento da atividade de furacões no Atlântico

Para o Brasil, a mensagem é clara: investir em monitoramento atmosférico, fortalecer os sistemas de alerta de qualidade do ar, expandir a infraestrutura de saúde pública nas regiões mais expostas e, acima de tudo, combater o desmatamento e as mudanças climáticas que ameaçam romper um equilíbrio ecológico construído ao longo de milênios.

O deserto do Saara está enviando um recado. A questão é se o Brasil vai ouvir — antes que a poeira assente de vez.


Números úteis em caso de emergência respiratória:

  • 🚑 SAMU: 192
  • 🛡️ Defesa Civil: 199
  • 🚒 Bombeiros: 193

Leia Também #

Perguntas Frequentes #

A poeira do Saara é visível a olho nu no Brasil?
Na maioria dos casos, não. As partículas são tão finas que a poeira é detectada apenas por sensores especializados e imagens de satélite. Em eventos mais intensos, porém, é possível notar um céu mais esbranquiçado, tons alaranjados no horizonte e pores do sol mais vibrantes. A sensação de "bruma seca" no ar pode ser um indicativo da presença de poeira saariana.

A poeira do Saara é boa ou ruim para a Amazônia?
Ambas. A poeira carrega fósforo e ferro essenciais para a floresta — sem ela, os solos amazônicos perderiam nutrientes críticos ao longo do tempo. Porém, em concentrações elevadas, a mesma poeira piora a qualidade do ar e pode suprimir chuvas locais. É um equilíbrio delicado que as mudanças climáticas ameaçam desestabilizar.

Quais cidades brasileiras são mais afetadas pela poeira do Saara?
As capitais do Norte e Nordeste são as mais expostas: Belém (PA), Manaus (AM), São Luís (MA), Macapá (AP), Boa Vista (RR) e Fortaleza (CE). Cidades do interior amazônico também podem ser afetadas, embora os efeitos sejam geralmente mais sutis.

Esse fenômeno pode piorar nos próximos anos?
Sim. Mudanças climáticas podem alterar tanto a quantidade quanto a intensidade dos eventos de poeira. A longo prazo, a redução do fluxo de fósforo para a Amazônia pode comprometer a saúde da floresta. A curto prazo, eventos individuais podem se tornar mais intensos, com maiores riscos à saúde pública. O avanço da desertificação no Nordeste brasileiro é outra preocupação crescente.

A poeira do Saara pode chegar ao Sudeste ou Sul do Brasil?
É muito raro. Os ventos alísios direcionam a pluma predominantemente para o Norte e Nordeste. Em eventos excepcionalmente intensos, traços da poeira podem ser detectados em altitudes elevadas sobre o Centro-Oeste, mas em concentrações tão baixas que não afetam a qualidade do ar ao nível do solo.


Fontes: Diário do Comércio, Tempo.com, MetSul Meteorologia, g1 Globo, NASA CALIPSO, Climate Central, Copernicus/CAMS, INPE, Xataka, Portal Amazônia, ClickPetróleo e Gás, Correio do Povo, NIH (National Institutes of Health), InfoAmazônia, FAPESP. Dados atualizados até 26 de fevereiro de 2026.

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Perguntas Frequentes

Na maioria dos casos, não. As partículas são tão finas que a poeira é detectada apenas por sensores especializados e imagens de satélite. Em eventos mais intensos, porém, é possível notar um céu mais esbranquiçado, tons alaranjados no horizonte e pores do sol mais vibrantes. A sensação de "bruma seca" no ar pode ser um indicativo da presença de poeira saariana.
Ambas. A poeira carrega fósforo e ferro essenciais para a floresta — sem ela, os solos amazônicos perderiam nutrientes críticos ao longo do tempo. Porém, em concentrações elevadas, a mesma poeira piora a qualidade do ar e pode suprimir chuvas locais. É um equilíbrio delicado que as mudanças climáticas ameaçam desestabilizar.
As capitais do Norte e Nordeste são as mais expostas: Belém (PA), Manaus (AM), São Luís (MA), Macapá (AP), Boa Vista (RR) e Fortaleza (CE). Cidades do interior amazônico também podem ser afetadas, embora os efeitos sejam geralmente mais sutis.
Sim. Mudanças climáticas podem alterar tanto a quantidade quanto a intensidade dos eventos de poeira. A longo prazo, a redução do fluxo de fósforo para a Amazônia pode comprometer a saúde da floresta. A curto prazo, eventos individuais podem se tornar mais intensos, com maiores riscos à saúde pública. O avanço da desertificação no Nordeste brasileiro é outra preocupação crescente.
É muito raro. Os ventos alísios direcionam a pluma predominantemente para o Norte e Nordeste. Em eventos excepcionalmente intensos, traços da poeira podem ser detectados em altitudes elevadas sobre o Centro-Oeste, mas em concentrações tão baixas que não afetam a qualidade do ar ao nível do solo. --- *Fontes: Diário do Comércio, Tempo.com, MetSul Meteorologia, g1 Globo, NASA CALIPSO, Climate Central, Copernicus/CAMS, INPE, Xataka, Portal Amazônia, ClickPetróleo e Gás, Correio do Povo, NIH (National Institutes of Health), InfoAmazônia, FAPESP. Dados atualizados até 26 de fevereiro de 2026.*

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