O segundo instrumento é o Coronagraph Instrument (CGI), considerado o mais avançado sistema de supressão de luz estelar já construído para voos espaciais. Emprega espelhos deformáveis com controle picométrico de frente de onda e máscaras ópticas de difração para bloquear a radiação direta da estrela central em uma proporção de um bilhão para um. Essa atenuação de contraste permitirá imagear diretamente gigantes gasosos semelhantes a Júpiter orbitando a distâncias comparáveis às do nosso Sistema Solar, validando tecnologias fundamentais para futuras missões dedicadas à busca de bioassinaturas em planetas rochosos.
A capacidade panorâmica do observatório Roman será direcionada para responder às perguntas centrais levantadas pela cosmologia moderna sobre a natureza da energia escura, componente hipotético que compõe cerca de 68% da densidade energética do cosmos e impulsiona a expansão acelerada do espaço-tempo.
Por meio do levantamento High Latitude Wide Area Survey, o telescópio registrará posições e formas aparentes de centenas de milhões de galáxias distribuídas por dez bilhões de anos-luz. Os astrofísicos empregarão duas técnicas independentes de cosmologia observacional: as oscilações acústicas de bárions (BAO), que servem como régua cósmica padrão impressa pela física do universo primordial, e as distorções sutis geradas por lentes gravitacionais fracas, nas quais a gravidade invisível da matéria escura deforma a trajetória da luz de galáxias de fundo.
A combinação cruzada desses dados espectroscópicos e fotométricos testará se a densidade da energia escura permaneceu constante ao longo das eras cosmológicas ou se exibe variações dinâmicas condizentes com teorias de gravidade modificada. Os resultados fornecerão o mais rigoroso teste empírico da Relatividade Geral de Einstein nas maiores escalas macroscópicas já sondadas pela ciência.
Com a homologação dos testes de vácuo térmico e painéis solares em Goddard, a montagem do observatório espacial avança para as etapas conclusivas de preparação integrada:
- Testes de Vibração Acústica e Cargas Mecânicas (2026-2027): Submissão do conjunto completo do telescópio a níveis sonoros e acelerações correspondentes às fases de empuxo máximo de um foguete Falcon Heavy.
- Integração das Comunicações de Alta Taxa (2027): Conexão do sistema de telemetria em banda Ka projetado para transmitir até 1,4 terabytes de dados comprimidos diariamente para a rede de antenas na Terra.
- Transporte para o Centro Espacial Kennedy (final de 2027): Envio seguro do observatório para a Flórida para abastecimento propelente e acoplamento na coifa de lançamento.
- Lançamento e Início das Observações Científicas (2028): Inserção em órbita de transferência para L2 e calibração óptica de primeira luz em noventa dias.
A NASA determinou que toda a telemetria científica registrada pelo telescópio Roman será tratada sob o modelo de acesso público imediato, sem períodos de exclusividade para equipes científicas específicas. Centros de astronomia globais e cientistas cidadãos poderão baixar conjuntos brutos e calibrados de dados para acelerar descobertas, democratizando a exploração do universo profundo e inaugurando uma nova era dourada para a astrofísica observacional.