R$ 6,3 bilhões em fraudes contra aposentados. Duas delações premiadas que mencionam o filho do Presidente da República. Uma "mesada" de R$ 300 mil. Uma empresa de cannabis medicinal em Portugal. Uma sessão do Congresso com confrontos físicos entre parlamentares. E uma quebra de sigilo autorizada pelo próprio STF antes mesmo da CPMI votar. Este é o maior escândalo do terceiro mandato de Lula — e ele tem um nome: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Este artigo reconstrói, com base em documentos da Polícia Federal, depoimentos à CPMI e reportagens investigativas de veículos como Estadão, Folha, UOL, CNN Brasil e Revista Oeste, a teia de conexões que liga o filho do presidente ao maior esquema de desvios previdenciários da história do Brasil.

O Esquema: Como Funcionava a Farra do INSS
Antes de entender o papel de Lulinha, é preciso compreender a dimensão do esquema que a Polícia Federal batizou de "Operação Sem Desconto". Trata-se de uma das maiores fraudes previdenciárias da história do Brasil — um esquema que drenou bilhões de reais de aposentados e pensionistas, muitos deles idosos vulneráveis com renda mínima.
A Mecânica da Fraude
O esquema funcionava assim: associações e sindicatos cadastrados junto ao INSS tinham permissão para descontar mensalidades de seus filiados diretamente na folha de pagamento dos benefícios previdenciários. Na teoria, esse desconto só poderia ser feito com a autorização expressa do beneficiário. Na prática, o que acontecia era algo completamente diferente.
| Etapa | Como Funcionava | Consequência |
|---|---|---|
| Cadastro fraudulento | Aposentados eram registrados em associações sem seu consentimento | Milhões de vítimas, muitas analfabetas ou com saúde debilitada |
| Autorizações forjadas | Assinaturas eram falsificadas ou copiadas de outros documentos | Descontos automáticos sem conhecimento do beneficiário |
| Habilitação de entidades | Diretores do INSS habilitavam novas entidades em troca de propina | 14 entidades habilitadas na gestão de André Fidelis |
| Descontos indevidos | Valores eram descontados mensalmente das aposentadorias | R$ 1,6 bilhão em descontos só das entidades habilitadas por Fidelis |
| Lavagem e distribuição | Recursos eram lavados por meio de empresas de fachada e distribuídos | Propinas para diretores, políticos e intermediários |
Os Números Que Assustam
| Dado | Valor |
|---|---|
| Prejuízo total estimado | R$ 6,3 bilhões |
| Período de atuação | 2019 a 2024 |
| Beneficiários afetados | Milhões de aposentados e pensionistas |
| Reembolsos já efetuados | R$ 2,9 bilhões (até fevereiro de 2026) |
| Segurados reembolsados | Mais de 4 milhões |
| Prazo para solicitar devolução | Até 20 de março de 2026 |
O que torna esse esquema particularmente hediondo é o perfil das vítimas: aposentados e pensionistas — muitos deles idosos, com saúde fragilizada, baixa escolaridade e que dependem de benefícios de um ou dois salários mínimos para sobreviver. Cada centavo descontado indevidamente significava um remédio não comprado, uma refeição a menos, uma conta não paga.
Os Protagonistas: Quem São os Envolvidos

Antônio Carlos Camilo Antunes — O "Careca do INSS"
No centro de toda a trama está Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de "Careca do INSS". Empresário e lobista, Antunes é apontado pela Polícia Federal como o principal articulador do esquema de fraudes. Os números ligados a ele são estonteantes:
- R$ 53,5 milhões movimentados entre 2022 e 2024 por meio de suas empresas
- R$ 9,3 milhões repassados a servidores do INSS ou pessoas a eles ligadas entre 2023 e 2024
- Proprietário oculto de entidades associativas envolvidas na fraude, como a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA)
- Preso desde setembro de 2025, está detido e considerando negociar sua própria delação premiada
Antunes não era apenas um operador financeiro — ele era o elo entre o dinheiro, os servidores públicos corrompidos e, segundo as investigações, figuras políticas de alto escalão. Sua cadeia de relacionamentos se estendia do chão de fábrica da burocracia do INSS até os corredores do poder em Brasília.
Virgílio Oliveira Filho — O Procurador Corrompido
Virgílio Oliveira Filho, ex-procurador do INSS, é uma das peças centrais do esquema. Preso desde 13 de novembro de 2025, ele é acusado pela Polícia Federal de ter recebido uma fortuna incompatível com seus rendimentos:
| Dado Financeiro | Valor |
|---|---|
| Total recebido de empresas ligadas ao esquema | R$ 11,9 milhões |
| Valor recebido de empresas do "Careca do INSS" | R$ 7,5 milhões |
| Aumento patrimonial identificado | R$ 18,3 milhões |
| Apartamento em Curitiba | R$ 5,3 milhões |
| Imóvel reservado em Santa Catarina | R$ 28 milhões |
Sua esposa, Thaisa Hoffmann Jonasson, também foi presa. Repasses milionários foram feitos para empresas e contas em nome dela — uma estratégia clássica de blindagem patrimonial. Virgílio está em negociação avançada de delação premiada, e seus relatos já mencionaram nomes poderosos — incluindo Lulinha.
André Fidelis — O Diretor que Habilitou a Fraude
André Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS, é o outro pilar do esquema dentro da autarquia. Também preso desde 13 de novembro de 2025, Fidelis é suspeito de ter:
- Recebido R$ 3,4 milhões em propina entre 2023 e 2024
- Habilitado 14 entidades associativas que realizaram descontos indevidos
- Permitido R$ 1,6 bilhão em descontos fraudulentos durante sua gestão
Seu filho, Eric Fidelis, também foi preso na operação. André Fidelis é o segundo ex-dirigente do INSS em negociação de delação premiada, e seus relatos — junto com os de Virgílio — formam a espinha dorsal das acusações que chegaram até o nome de Lulinha.
Edson Claro Medeiros Jr. — O Informante-Chave
Talvez nenhuma testemunha seja tão importante quanto Edson Claro Medeiros Jr., ex-funcionário direto de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Claro prestou mais de 70 horas de depoimento à Polícia Federal, e seus relatos são devastadores. Segundo seu testemunho:
- Lulinha teria recebido pagamentos que somariam até R$ 25 milhões
- Existia uma "mesada" mensal de aproximadamente R$ 300 mil destinada ao filho do presidente
- Lulinha teria viajado com o "Careca do INSS" para Portugal
- Existiria uma sociedade empresarial oculta entre Lulinha e Antunes
Parlamentares governistas tentaram bloquear a convocação de Edson Claro para depor diretamente na CPMI — uma manobra que foi amplamente interpretada como tentativa de blindar o governo do conteúdo explosivo de seus relatos.
Roberta Luchsinger — A Conexão Financeira
Roberta Luchsinger, empresária e herdeira, é identificada pela Polícia Federal como peça fundamental na engrenagem financeira que ligaria Lulinha ao "Careca do INSS". As evidências contra ela são contundentes:
- Recebeu R$ 1,5 milhão da empresa de Antunes, em parcelas de R$ 300 mil
- Mensagens interceptadas pela PF mostram Antunes mencionando a necessidade de "fazer mais uma parcela de R$ 300 mil"
- Ao ser questionado sobre o destinatário, Antunes teria respondido: "o filho do rapaz" — referência explícita a Lulinha
- Descrita pela PF como "integrante do núcleo político da organização criminosa"
- Sua atuação é considerada "essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais"
- Amiga próxima de Lulinha, teria feito lobby no Ministério da Saúde junto com o "Careca do INSS"
A defesa de Luchsinger alega que ela não tem qualquer relação com os descontos do INSS e que sua empresa atua com prospecção e intermediação de negócios, incluindo tratativas para um projeto de canabidiol com o lobista.
A Conexão Portuguesa: World Cannabis
Um dos aspectos mais intrigantes da investigação é a ligação internacional. Segundo os depoimentos e documentos reunidos pela Polícia Federal, Lulinha seria sócio oculto de uma empresa chamada World Cannabis, sediada em Portugal, cujo objetivo seria a comercialização de produtos de cannabis medicinal — com a meta final de vendê-los ao Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.
As viagens de Lulinha para Portugal com o "Careca do INSS" — relatadas por Edson Claro — teriam relação direta com esse empreendimento. Se confirmada, essa conexão revelaria algo ainda mais grave: o uso de influência política junto ao Ministério da Saúde para criar demanda governamental para produtos de uma empresa na qual o filho do presidente teria participação financeira oculta.
A Delação: O Que Foi Entregue à Polícia Federal

Os Dois Delatores
Em fevereiro de 2026, tornou-se público que dois ex-integrantes da cúpula do INSS estavam em fase avançada de negociação de acordos de delação premiada com a Polícia Federal. Os delatores são:
| Delator | Cargo | Situação | Nomes Citados |
|---|---|---|---|
| Virgílio Oliveira Filho | Ex-procurador do INSS | Preso desde 13/11/2025 | Lulinha, Flávia Péres, políticos do Centrão, Frei Chico |
| André Fidelis | Ex-diretor de Benefícios do INSS | Preso desde 13/11/2025 | Lulinha, políticos do Centrão |
Os Nomes Bombásticos Revelados
Além de Lulinha, as delações e investigações trouxeram à tona outros nomes surpreendentes:
- Flávia Péres (ex-Flávia Arruda): ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais no governo Jair Bolsonaro. Sua menção nas delações foi uma surpresa — pois revelou que o esquema do INSS não é exclusivo de um só governo, mas atravessou administrações de diferentes orientações políticas. Ela nega qualquer envolvimento.
- José Ferreira da Silva, o "Frei Chico": irmão do presidente Lula. Sua menção expandiu a contaminação política para além do filho — atingindo o núcleo familiar do próprio presidente.
- Políticos do "Centrão": diversos parlamentares da base aliada foram citados como beneficiários do esquema, embora os nomes permaneçam sob sigilo judicial.
- Familiares de Antunes: o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa Tânia Carvalho dos Santos também se tornaram alvos, o que levou o "Careca do INSS" a considerar sua própria delação premiada.
O Que a PF Tem em Mãos
| Tipo de Prova | Conteúdo |
|---|---|
| Depoimentos formais | Mais de 70 horas de Edson Claro, mais depoimentos de Virgílio e André Fidelis |
| Mensagens interceptadas | Comunicações de Antunes mencionando pagamentos a "o filho do rapaz" |
| Rastreamento financeiro | Fluxos de R$ 300 mil via Roberta Luchsinger |
| Registros empresariais | Vínculos societários ocultos em Portugal (World Cannabis) |
| Documentos contábeis | Movimentações de R$ 53,5 milhões por empresas de Antunes |
| Quebra de sigilos | Bancário, fiscal e telemático de Lulinha autorizados pelo STF |
A CPMI: Batalha Política no Congresso Nacional

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
A CPMI do INSS foi instaurada pelo Congresso Nacional em agosto de 2025 para investigar as fraudes nos descontos de aposentadorias. Desde o início, a comissão se transformou em um campo de batalha político, com governistas tentando limitar o escopo das investigações e oposicionistas buscando ampliar as apurações — especialmente após o nome de Lulinha surgir nos depoimentos.
O "Careca do INSS" na CPMI
Em setembro de 2025, Antônio Carlos Camilo Antunes depôs perante a CPMI. Sua estratégia foi típica de réus em grandes operações:
- Negou participação direta nos descontos indevidos
- Alegou que suas empresas apenas "prestavam serviços" às associações
- Recusou-se a responder perguntas do relator da CPMI, alegando "parcialidade"
- Transferiu a responsabilidade para as entidades associativas
O Dia D: 26 de Fevereiro de 2026
O dia 26 de fevereiro de 2026 entrou para a história política brasileira como um dos mais dramáticos da atual legislatura. No mesmo dia em que se tornou público que o ministro do STF André Mendonça já havia autorizado a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha a pedido da Polícia Federal — uma decisão tomada em janeiro, mas mantida sob sigilo — a CPMI do INSS realizou sessão para votar sobre o mesmo pedido.
O resultado foi uma derrota acachapante para o governo:
| Evento | Detalhes |
|---|---|
| Decisão do STF | André Mendonça já havia autorizado a quebra de sigilos de Lulinha em janeiro de 2026, a pedido da PF. A informação veio à tona em 26/02 |
| Votação na CPMI | A comissão aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha |
| Tentativa de bloqueio | Parlamentares governistas tentaram impedir a votação — e falharam |
| Confrontos físicos | A sessão foi marcada por discussões acaloradas e confrontos físicos entre parlamentares |
| Reação do governo | A ministra Gleisi Hoffmann classificou a votação como um "golpe" |
A imagem do Congresso Nacional se degradou ainda mais quando senadores e deputados partiram para a agressão física durante os debates sobre a quebra de sigilo. A cena foi transmitida ao vivo pela TV Senado e pela TV Câmara, chocando a opinião pública.
O Passado Que Retorna: O Indiciamento de 2019
O caso do INSS não é a primeira vez que Lulinha enfrenta a Justiça. Em 20 de março de 2019, a Polícia Federal já havia indiciado Fábio Luís Lula da Silva — juntamente com seu pai — por crimes de lavagem de dinheiro e tráfico de influência. Aquele caso envolvia uma história completamente diferente, mas com padrões perturbadoramente semelhantes.
A Empresa Touchdown
Lulinha era dono da Touchdown, uma empresa de marketing esportivo com capital social de apenas R$ 1 mil que, misteriosamente, recebeu mais de R$ 10 milhões de grandes patrocinadores. A Polícia Federal identificou que os valores pagos eram significativamente acima do mercado, levantando suspeitas de que os contratos serviam como veículo para pagamentos a Lula.
A Conexão com a Odebrecht
Segundo delatores da Odebrecht na Operação Lava Jato, a empreiteira teria repassado recursos à empresa de Lulinha em troca de vantagens durante o governo Dilma Rousseff. A Odebrecht teria financiado projetos pessoais de Lulinha após Lula ter mantido contato com a empreiteira para beneficiá-la em contratos públicos.
O Caso Oi/Telemar
Em investigação paralela, a PF apurou repasses da operadora Oi/Telemar para empresas associadas a Lulinha — especificamente o grupo Gamecorp/Gol. Os valores somavam mais de R$ 132 milhões, e havia suspeitas de que parte do dinheiro teria sido utilizada na compra do sítio de Atibaia — propriedade que se tornou símbolo dos escândalos envolvendo o ex-presidente.
Arquivamento e Anulação
Em dezembro de 2021, o Ministério Público Federal solicitou o arquivamento de uma das investigações contra Lulinha, e em janeiro de 2022, a Justiça Federal em São Paulo acatou o pedido. A decisão levou em consideração a anulação de provas obtidas na Operação Lava Jato pelo STF, que reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro. No entanto, o arquivamento não significou inocentar Lulinha — apenas que as provas obtidas por meios considerados ilegais não poderiam ser usadas.
A Ligação Presidente-Filho: O Que Conecta Lula ao Escândalo
A Reação do Planalto
Quando a notícia do envolvimento de Lulinha nas investigações do INSS veio a público, o presidente Lula declarou que cobrou explicações do filho e o alertou que, "se houver envolvimento, ele pagará o preço". A declaração foi cuidadosamente calibrada — suficientemente dura para demonstrar integridade, mas sem condenar previamente o filho.
Os Elos Que a Investigação Busca Provar
A Polícia Federal trabalha com múltiplas linhas de investigação para determinar se existe conexão entre os atos de Lulinha e a posição de seu pai como presidente:
| Linha de Investigação | Hipótese | Status |
|---|---|---|
| Tráfico de influência | Lulinha usou o nome do pai para facilitar negócios de Antunes no Ministério da Saúde | Em apuração |
| Sociedade oculta | Lulinha seria sócio oculto de Antunes, usando Luchsinger como testa-de-ferro | Em apuração |
| Mesada política | Os R$ 300 mil mensais seriam "pagamento" por proteção política ao esquema do INSS | Em apuração |
| Conexão com o SUS | A empresa de cannabis medicinal (World Cannabis) buscava contratos com o SUS | Em apuração |
| Conhecimento do presidente | Lula sabia ou deveria saber das atividades do filho | Não há evidências diretas até o momento |
O Silêncio Eloquente
É significativo que Lulinha mudou-se para a Espanha — uma decisão que parlamentares da oposição interpretaram como tentativa de se colocar fora do alcance imediato da Justiça brasileira. Parlamentares já pediram sua convocação à CPMI e até sua extradição para depor.
A defesa de Lulinha afirma que ele está "surpreso" com as acusações e nega qualquer envolvimento com as fraudes do INSS. Seu advogado manifestou planos de solicitar inquérito sobre o vazamento de documentos confidenciais para a imprensa.
Flávia Péres: O Escândalo Que Atravessa Governos
Um dos aspectos mais surpreendentes das delações é a menção a Flávia Péres (anteriormente conhecida como Flávia Arruda), que serviu como ministra da Secretaria de Relações Institucionais durante o governo Jair Bolsonaro. Sua inclusão nas investigações demonstra que o esquema do INSS transcende divisões partidárias — e que a corrupção na previdência social é um problema estrutural do Estado brasileiro, não apenas de um governo específico.
O Impacto Político: O Que Muda a Partir de Agora?

Cenários Possíveis
| Cenário | Probabilidade | Consequência |
|---|---|---|
| Lulinha indiciado formalmente | Alta | Desgaste político massivo para Lula; pressão por impeachment de apoiadores |
| Delação do Careca do INSS | Média-alta | Ampliação do escândalo com novos nomes revelados |
| Convocação de Lulinha à CPMI | Média | Conflito institucional se ele estiver na Espanha |
| Denúncia da PGR | Média | Caso segue para julgamento no STF por envolver foro privilegiado indireto |
| Impacto eleitoral | Certo | O escândalo domina o debate político até 2026 |
| Novas prisões | Média | Ramificações podem atingir políticos do Centrão |
A Matemática Política
O governo Lula já enfrentava desgaste com a economia, a dívida pública e crises de imagem. O envolvimento de seu filho em um escândalo de R$ 6,3 bilhões contra aposentados — a base eleitoral mais fiel do PT — representa um golpe devastador na narrativa de defesa dos mais vulneráveis que sustentou o petismo por três décadas.
Cronologia Completa: A Linha do Tempo do Escândalo
| Data | Evento |
|---|---|
| 2019-2024 | Período de atuação do esquema de descontos indevidos no INSS |
| Março 2019 | Lulinha indiciado pela PF por lavagem de dinheiro e tráfico de influência (caso Touchdown/Odebrecht) |
| Dezembro 2021 | MPF pede arquivamento de investigação contra Lulinha (caso Lava Jato) |
| Janeiro 2022 | Justiça Federal arquiva caso por anulação de provas da Lava Jato |
| Dezembro 2025 | Deflagrada a Operação Sem Desconto pela PF e CGU |
| Setembro 2025 | "Careca do INSS" depõe na CPMI e nega envolvimento direto |
| Novembro 2025 | Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis são presos (13/11/2025) |
| Agosto 2025 | CPMI do INSS é instaurada no Congresso |
| Janeiro 2026 | Min. André Mendonça (STF) autoriza quebra de sigilos de Lulinha a pedido da PF |
| Fevereiro 2026 | Nome de Lulinha surge publicamente nas delações de Virgílio e André Fidelis |
| 25-26/02/2026 | Imprensa divulga detalhes das delações; nomes de Lulinha, Flávia Péres, Frei Chico são revelados |
| 26/02/2026 | CPMI aprova quebra de sigilo de Lulinha em sessão tumultuosa com confrontos físicos |
O Que Dizem as Defesas
É fundamental registrar as posições das defesas dos envolvidos, em respeito ao princípio do contraditório:
- Lulinha: Manifestou "surpresa" com as notícias e nega qualquer envolvimento com as fraudes do INSS. Planeja solicitar inquérito sobre vazamento de documentos sigilosos.
- Roberta Luchsinger: Alega não ter relação com os descontos do INSS. Afirma que sua empresa atua com prospecção e intermediação de negócios.
- "Careca do INSS": Nega participação direta nos descontos indevidos. Suas empresas apenas prestavam serviços às associações.
- Virgílio Oliveira Filho: Sua defesa nega que haja delação premiada em andamento.
- Flávia Péres: Nega qualquer envolvimento no esquema.
- Presidente Lula: Disse que cobrou explicações do filho e que, se houver irregularidades, ele "pagará o preço".
Conclusão: O Brasil Que Ninguém Quer Ver
O escândalo do INSS envolvendo Lulinha é, antes de tudo, um retrato do Brasil que persiste apesar de todas as promessas de mudança. É um Brasil onde aposentados que recebem um salário mínimo têm suas aposentadorias drenadas para enriquecer lobistas, empresários e — se as delações forem confirmadas — filhos de presidentes.
É um Brasil onde as mesmas práticas de corrupção que foram denunciadas na Lava Jato reaparecem com novos nomes e novas siglas, mas com a mesma essência: o uso do Estado para benefício privado. É um Brasil onde a CPMI se transforma em ringue de boxe, onde a verdade precisa lutar para sobreviver entre manobras regimentais e confrontos físicos.
O que acontecerá com Lulinha, com o "Careca do INSS", com os delatores e com todos os envolvidos depende agora da Polícia Federal, do STF e da CPMI. Mas uma coisa é certa: os 4 milhões de aposentados que já receberam seus reembolsos — e os milhões que ainda não receberam — são a prova viva de que esse esquema não é ficção política. É roubo. É crime. E é contra os mais vulneráveis.
A questão que permanece é a mesma de sempre: as instituições brasileiras serão fortes o suficiente para investigar sem viés, independentemente de quem esteja no poder? A resposta a essa pergunta definirá não apenas o destino de Lulinha, mas o destino da própria democracia brasileira.
Nota Editorial: Este artigo é baseado em informações publicadas por veículos de imprensa brasileiros, documentos da Polícia Federal tornados públicos e depoimentos prestados à CPMI do INSS. O autor reitera que todos os citados são inocentes até que se prove o contrário em processo judicial, conforme prevê a Constituição Federal. As investigações estão em curso e novas informações podem alterar o quadro aqui descrito.
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Perguntas Frequentes
Lulinha foi preso?
Não. Até fevereiro de 2026, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) não foi preso nem formalmente indiciado no caso do INSS. No entanto, o STF autorizou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático, e a CPMI do INSS também aprovou a mesma medida. Lulinha reside atualmente na Espanha.
Quem são os delatores do caso INSS?
As delações premiadas em negociação envolvem Virgílio Oliveira Filho (ex-procurador do INSS) e André Fidelis (ex-diretor de Benefícios do INSS), ambos presos desde 13 de novembro de 2025. Além deles, Edson Claro Medeiros Jr., ex-funcionário do "Careca do INSS", prestou mais de 70 horas de depoimento à PF.
Qual a relação entre Lulinha e o Careca do INSS?
Segundo as investigações, Lulinha seria "sócio oculto" de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", em negócios ligados às fraudes previdenciárias. A PF investiga se Lulinha recebia uma "mesada" de R$ 300 mil por meio da empresária Roberta Luchsinger, e se ambos mantinham uma empresa de cannabis medicinal em Portugal (World Cannabis).
Quanto dinheiro é acusado de ter recebido?
Segundo o depoimento de Edson Claro à Polícia Federal, Lulinha teria recebido valores que somam até R$ 25 milhões, incluindo uma "mesada" mensal de aproximadamente R$ 300 mil. Esses valores, se confirmados, teriam sido pagos por intermédio de Roberta Luchsinger e de empresas ligadas ao Careca do INSS.
O caso pode levar ao impeachment de Lula?
Até o momento, não há evidências diretas de que o presidente Lula tenha conhecimento ou participação nas atividades investigadas. O envolvimento de seu filho não configura, por si só, base para impeachment presidencial. No entanto, o desgaste político pode afetar a governabilidade e a imagem do governo.
Fontes: Estadão, Folha de São Paulo, UOL, CNN Brasil, Revista Oeste, Poder360, InfoMoney, Brasil Paralelo, Diário do Poder, Congresso em Foco, Senado Federal, Câmara dos Deputados, Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU), Relatórios da CPMI do INSS. Dados atualizados até 26 de fevereiro de 2026.





