As agências espaciais NASA e ESA divulgaram um novo mosaico observacional de altíssima definição capturado pelos instrumentos ópticos do Telescópio Espacial Hubble, registrando com nitidez sem precedentes a expansão tridimensional e a turbulência hidrodinâmica dos detritos da supernova Cassiopeia A (Cas A). Localizada a cerca de 11.000 anos-luz da Terra na constelação boreal de Cassiopeia, a nuvem remanescente viaja a velocidades que ultrapassam quinze milhões de quilômetros por hora (cerca de 4.100 km/s). Os novos dados detalham filamentos de gás incandescente do tamanho de sistemas planetários inteiros e revelam a arquitetura interna da nucleossíntese estelar que semeou a Via Láctea com os elementos químicos essenciais para a formação da Terra e dos seres vivos.
Cassiopeia A é o remanescente de supernova jovem mais bem preservado e estudado da nossa galáxia. A estrela progenitora — uma supergigante com massa estimada entre dezesseis e vinte vezes a massa do nosso Sol — sofreu o colapso catastrófico de seu núcleo de ferro por volta do ano de 1680. Embora a poeira interestelar espessa do plano galáctico tenha atenuado a luz visível da explosão para os observadores da época, os resquícios em expansão continuam a brilhar intensamente em todos os espectros eletromagnéticos, desde as ondas de rádio e infravermelho até os raios X e raios gama de alta energia.
A nova rodada de processamento de imagens combinou exposições profundas da câmera Wide Field Camera 3 (WFC3) e da Advanced Camera for Surveys (ACS). A resolução subarcosegundo permitiu aos astrofísicos isolar a luz emitida por diferentes estados de ionização do oxigênio, enxofre, silício e argônio. O mapa visual resultante desvenda uma estrutura fractal em formato de concha esférica despedaçada, perfurada por jatos e anéis de matéria que colidem violentamente contra o meio interestelar difuso.







