Presidente Lula: "O tratamento que você me der é o que vai receber. Não temos nada a esconder e não vamos aceitar que façam com um brasileiro o que não gostaríamos que fizessem com americanos."
Itamaraty (nota oficial): "O Brasil reafirma seu compromisso com os princípios do direito internacional e da reciprocidade nas relações diplomáticas. A medida adotada segue estritamente as normas da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas."
Casa Branca (porta-voz): A resposta americana foi genérica, limitando-se a dizer que os EUA "monitoram a situação e mantêm canais de comunicação abertos com o governo brasileiro".
Senado brasileiro: Líderes da oposição e da situação convergiram, raramente, em torno da posição do governo. Mesmo parlamentares críticos a Lula reconheceram que a retaliação era "dentro das normas diplomáticas".
A crise está em curso e seus desdobramentos são incertos. Três cenários são possíveis:
Desescalada rápida: Ambos os governos preferem manter os canais de cooperação, especialmente em combate ao crime organizado, e chegam a um entendimento discreto nos bastidores. Esse seria o cenário ideal para ambos os lados.
Escalada moderada: Novos incidentes menores mantêm a tensão elevada, mas sem ruptura formal das relações diplomáticas. As relações ficam frias por meses, afetando cooperação em múltiplas áreas.
Ruptura formal: No pior cenário, os países rebaixam o nível de representação diplomática — o que seria sem precedentes na história recente das relações Brasil-EUA.
A maioria dos analistas aposta no primeiro ou segundo cenário. A memória institucional de ambos os países favorece a desescalada: Brasil e EUA têm interesses comuns demais — do comércio à segurança hemisférica — para permitir uma ruptura prolongada.
Do ponto de vista do direito internacional público, a revogação da autorização de trabalho de um oficial norte-americano em Brasília em 22 de abril de 2026 apoia-se nos dispositivos da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. Ao aplicar estritamente o princípio da reciprocidade após a expulsão de um delegado federal brasileiro que integrava uma força-tarefa contra o crime organizado nos Estados Unidos, o Itamaraty sinalizou que adidos policiais e agentes de ligação estrangeiros operam sob simetria jurisdicional estrita. A medida preserva os canais formais de embaixada, mas redefine os limites operacionais de agências norte-americanas em território nacional.
O Brasil de 2026 não é o mesmo que aceitava em silêncio decisões unilaterais dos EUA. Lula, em seu terceiro mandato, construiu uma política externa de assertividade — buscando protagonismo nos fóruns internacionais, defendendo mediação no Oriente Médio e resistindo a pressões bilaterais.
A expulsão de um delegado brasileiro e a retaliação subsequente são um símbolo dessa mudança de postura. Se isso é bom ou mau para o Brasil depende de com quem você pergunta. Mas que as relações entre Brasília e Washington entraram numa fase nova — e mais tensa — disso já não há dúvida.