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Blockchain Pós-Quântico: Nova Era da Segurança

📅 2026-01-13⏱️ 8 min de leitura📝

Em 2026, duas ondas tecnológicas deixaram de ser "futuro distante" e passaram a disputar prioridade no orçamento e na arquitetura de sistemas: blockchain como infraestrutura (tokenização, liquidação e automação) e criptografia pós-quântica (PQC) como o próximo padrão de segurança para a internet e para assinaturas digitais.

A convergência é inevitável: blockchains dependem de criptografia para autenticar transações — e a migração para algoritmos resistentes a ataques quânticos vai mexer em carteiras, redes, compliance e custos operacionais.

Se você quer entender como a tecnologia está transformando nosso mundo, este artigo é essencial.

Convergência entre blockchain e criptografia pós-quântica

Onde Estamos Hoje: Blockchain Amadureceu e a Segurança Começou a Trocar de Motor

1. Tokenização Sai do Discurso e Entra no "Encanamento" Financeiro

O salto mais importante do blockchain recente não é "mais uma moeda", e sim transformar ativos e dinheiro em objetos programáveis: depósitos tokenizados, reservas/liquidação, e regras embutidas no próprio ativo.

Um exemplo emblemático é o Project Agorá, liderado pelo BIS Innovation Hub com bancos centrais e o setor bancário para explorar tokenização aplicada a pagamentos internacionais e liquidação em uma plataforma programável. O Agorá começou em abril de 2024 e prevê relatar resultados no primeiro semestre de 2026, o que deve influenciar prioridades de infraestrutura (inclusive padrões e governança).

2. Escalabilidade e Privacidade Evoluem com Camadas 2 e Provas ZK

A promessa do blockchain como infraestrutura depende de escala e eficiência. Por isso, a arquitetura dominante passou a ser "base segura + execução eficiente fora da base", com rollups.

Entre eles, os ZK-rollups usam provas de validade para confirmar lotes de transações, reduzindo congestionamento e custo e abrindo portas para privacidade seletiva (provar sem revelar). Isso se conecta diretamente com como funciona a internet em sua camada mais profunda.

3. Pós-Quântica Já é Padrão Oficial — E Não Só Pesquisa

A urgência do pós-quântico mudou de patamar quando o NIST publicou seus primeiros padrões FIPS finais em 13 de agosto de 2024, incluindo:

  • ML-KEM (troca/encapsulamento de chaves)
  • ML-DSA (Dilithium renomeado) para assinaturas digitais

Em 2025, o NIST também selecionou HQC como algoritmo adicional para padronização (como "backup"/defesa alternativa para criptografia de uso geral).

4. A Internet Está Ensaiando a Migração com Modelos Híbridos

Na prática, a transição tende a começar por mecanismos híbridos (clássico + pós-quântico), para reduzir risco enquanto padrões e implementações amadurecem. Isso já aparece no IETF com drafts para TLS 1.3 definindo acordos híbridos como X25519MLKEM768.

Arquitetura de segurança pós-quântica

Por Que a Pós-Quântica Mexe Tanto com Blockchain

Blockchains não "dependem" só de criptografia para sigilo; elas dependem sobretudo de criptografia para autenticidade: provar que uma transação foi assinada pela chave certa.

E é exatamente aí que a ameaça quântica muda o jogo — porque esquemas amplamente usados de chave pública (como os baseados em curvas elípticas) entram na zona de risco com computadores quânticos suficientemente capazes.

O Fator "Harvest Now, Decrypt Later"

Existe um fator de pressão já no presente: capturar dados criptografados hoje para quebrar no futuro. O NIST vem reforçando esse risco em documentos de transição/migração, porque muitos dados têm "prazo de validade" longo (PII, segredos industriais, registros críticos).

Se você se interessa por como proteger seus dados pessoais, entender essa ameaça é fundamental.

As Três Frentes de Impacto em Blockchain

  1. Assinaturas de transação e carteiras (o núcleo de segurança)
  2. Infra off-chain (TLS, APIs, HSMs, pipelines) que conectam carteiras, exchanges, custodiantes e sistemas corporativos
  3. Migração de ecossistema: padrões, governança, compatibilidade e custos

O Que Esperar do Futuro: Para Onde Essa Convergência Está Indo

1. "Blockchain Invisível": Mais Infraestrutura, Menos Produto

A tendência é blockchain virar camada de registro e automação embutida em plataformas. O BIS, ao discutir tokenização e iniciativas como o Agorá, aponta justamente para um sistema mais programável e integrado entre dinheiro e ativos — com governança e regras claras.

Instituições também estão criando "peças de lego" para tokenização e uso institucional. A DTCC, por exemplo, vem publicando iniciativas e soluções ligadas a DLT/ativos digitais e integração com infraestrutura tradicional.

2. Cripto-Agilidade Vira Requisito de Arquitetura

O futuro provável não é "trocar um algoritmo por outro e pronto". É desenhar sistemas cripto-ágeis: capazes de trocar algoritmos com governança, inventário e processos.

O NIST tem material dedicado a migração para PQC e mapeamento para frameworks de risco, reforçando que a transição é uma jornada:

  1. Inventariar → 2. Priorizar → 3. Migrar → 4. Validar

3. Blockchains Terão de "Aceitar" Novas Assinaturas

A rota mais discutida no Ethereum para facilitar a adoção de novos esquemas de assinatura é Account Abstraction (AA): deslocar a lógica de autenticação para contas programáveis (carteiras em smart contract).

Isso permite evolução gradual do esquema de assinatura sem trocar tudo de uma vez. Há discussões técnicas explícitas sobre "estrada para transações pós-quânticas" apoiada em AA.

Evolução da segurança em blockchain

As Maiores Preocupações (As Que Mais Derrubam Projetos no Mundo Real)

1. O Relógio Quântico é Incerto — Mas o Custo de "Esperar Para Ver" é Alto

Mesmo que computadores quânticos "cripto-relevantes" ainda não estejam disponíveis, o risco de capturar dados hoje para quebrar amanhã já altera priorização de segurança — principalmente para dados de longa vida.

2. Migração em Blockchain é Uma Migração de Ecossistema, Não de Servidor

Em TI tradicional, você troca certificados e bibliotecas. Em blockchain pública, você mexe em:

  • Carteiras
  • Formato/validação
  • Contratos
  • Integrações
  • Hardwares
  • Padrões comunitários

Pesquisas e discussões apontam que há impactos de compatibilidade (ex.: fluxos que dependem de certas primitivas e contratos que assumem um tipo específico de assinatura).

3. Tamanho e Custo: Assinaturas Pós-Quânticas Podem Pesar no Throughput

Algoritmos pós-quânticos (especialmente assinaturas) podem ter chaves/assinaturas maiores do que ECDSA/EdDSA, pressionando armazenamento, largura de banda e custos por transação.

Isso tende a fortalecer o papel de L2/rollups como amortecedores de custo e escala.

4. Governança, Compliance e "Dinheiro Privado" (Stablecoins) Entram em Tensão

Conforme o ecossistema amadurece, reguladores e bancos centrais enfatizam riscos de stablecoins e a necessidade de estruturas mais robustas e governadas para dinheiro/ativos tokenizados.

Em 2025, o BIS foi citado em alertas sobre riscos e soberania monetária, ao mesmo tempo em que defende alternativas mais integradas e programáveis para pagamentos.

Box 1 — PQC em 30 Segundos: O Que É e O Que Não É

Criptografia pós-quântica (PQC) é um conjunto de algoritmos desenhados para resistir a ataques de computadores quânticos, mas rodando em computadores clássicos.

Ela é diferente de "criptografia quântica" (como QKD), que depende de canais/física quântica. O NIST mantém explicações e padrões oficiais, incluindo ML-KEM e ML-DSA.

Box 2 — "Harvest Now, Decrypt Later": Por Que Isso é Um Problema Hoje

O ataque é simples: um adversário não precisa quebrar a criptografia agora — basta capturar tráfego/dados criptografados e guardar.

Quando houver capacidade (quântica ou avanços), o conteúdo pode ser revelado. O NIST usa esse cenário como uma das justificativas centrais para acelerar a migração para PQC.

Para entender melhor as ameaças digitais atuais, confira nosso artigo sobre os 10 golpes online mais comuns em 2025.

Box 3 — Carteiras Pós-Quânticas: A Ideia por Trás do Account Abstraction

A proposta prática: em vez de a rede depender sempre de um único tipo fixo de assinatura "no protocolo", a autenticação pode ser programável por conta (smart contract wallet).

Assim, usuários e instituições poderiam migrar gradualmente para:

  • Assinaturas pós-quânticas
  • Híbridas
  • Políticas de assinatura (multisig, limites, recovery)

Sem "reinventar" a rede inteira. Há discussões técnicas e até pesquisas acadêmicas sobre eficiência de verificação pós-quântica no contexto Ethereum/AA.

A Pilha da Confiança: Onde a Pós-Quântica Encosta no Blockchain

Camada 1: Usuário & Carteira

Assinatura de transações; AA/contas programáveis

Camada 2: Rede Blockchain

Validação; custos por assinatura; compatibilidade

Camada 3: L2 / Rollups

ZK como eficiência e privacidade seletiva

Camada 4: Infra Off-chain

TLS híbrido; APIs; custódia; HSM

Camada 5: Governança & Regulação

Tokenização institucional; riscos de stablecoins; modelos regulados

Linha do Tempo da Transição

Ano Marco
2024 Padrões PQC iniciais do NIST (FIPS)
2024–2026 Project Agorá (início e relatório)
2025 Seleção do HQC
2025–2026 Adoção progressiva de TLS híbrido

O Que Empresas Deveriam Fazer em 2026 (Sem Esperar "O Dia do Quântico")

1. Inventário Criptográfico Real (Não Só "Tem TLS")

Mapeie onde há RSA/ECC:

  • TLS, VPN, certificados internos
  • Assinatura de código, HSM, APIs
  • IoT, backups
  • Fluxos ligados a blockchain (custódia, assinadores, KMS)

O NIST trata inventário e planejamento como base da migração.

2. Classifique Dados por "Prazo de Sensibilidade"

O que precisa ficar secreto por 10+ anos entra no topo da fila por causa de "harvest now, decrypt later".

3. Comece Por Onde Há Menor Atrito: Conexões e Transporte (TLS)

Pilote TLS híbrido em bordas controladas (APIs internas, gateways) e exija roadmap de PQC de fornecedores críticos.

4. Para Projetos Blockchain: Planeje Migração de Chaves

Se você opera custódia, assinadores ou produtos on-chain, avalie rotas como smart contract wallets / account abstraction para permitir transição gradual de assinatura.

5. Exercite Cripto-Agilidade Como Processo, Não Como "Projeto"

Tenha governança:

  • Políticas de atualização de bibliotecas
  • Testes de compatibilidade
  • Monitoramento de padrões NIST/IETF
  • "Playbook" de migração

6. Prepare o Discurso de Risco e Compliance

A conversa com conselho e auditoria precisa sair do "quando vai existir computador quântico?" para "quanto tempo nossos dados precisam ficar secretos e quanto tempo levamos para migrar?"

Materiais recentes do NIST ajudam a amarrar isso em frameworks de risco.

Conclusão

Blockchain está deixando de ser uma "aplicação" e virando infraestrutura programável para dinheiro e ativos — especialmente em ambientes institucionais.

Ao mesmo tempo, a pós-quântica já começou oficialmente com padrões e drafts para adoção em massa na internet.

Quem acertar essa convergência vai ganhar algo raro: sistemas mais automáticos e auditáveis, sem abrir mão de segurança de longo prazo — e sem refazer tudo no susto.

A computação quântica explicada em nosso outro artigo pode ajudar você a entender melhor os fundamentos dessa revolução.


Leituras Recentes Para Aprofundar

  • Reuters - "Central bank body BIS delivers stark stablecoin warning" (24 de jun. de 2025)
  • Financial Times - "Stablecoins 'perform poorly' as money, central banks warn" (24 de jun. de 2025)
  • TechRadar - "Cyber resilience in the post-quantum era: the time of crypto-agility" (25 de ago. de 2025)

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Artigo escrito por Loester Vieira, especialista em tecnologia e segurança digital. Compartilhe este conteúdo com quem precisa entender o futuro da segurança em blockchain!

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