Uma aeronave bimotor Cessna 402B operada pela companhia multinacional de transporte de valores Prosegur sofreu uma pane catastrófica no motor esquerdo e caiu em uma lavoura do município de Minga Guazú, a poucos quilômetros do Aeroporto Internacional Guaraní, no leste do Paraguai. A aeronave transportava uma remessa bancária oficial declarada de cinco milhões de dólares e quinze milhões de reais com destino ao Banco Central do Paraguai em Assunção. Antes que viaturas da Polícia Nacional e brigadas de bombeiros aeroportuários alcançassem o local dos destroços, centenas de moradores e trabalhadores rurais invadiram a fuselagem rompida, saqueando cerca de dois milhões de dólares em cédulas espalhadas pelo solo agrícola.
O acidente aéreo provocou a morte instantânea do piloto comandante Fernando Noldin, enquanto três agentes de segurança privada que viajavam na cabine traseira sofreram politraumatismos e foram socorridos sob custódia médica em Ciudad del Este. As imagens registradas por telefones celulares capturaram cenas caóticas de populares enchendo sacos de ráfia e mochilas com maços de notas estrangeiras em meio aos tanques de combustível fumegantes. A rapidez e a desinibição do saque revelaram a fragilidade das estruturas de segurança em corredores rurais adjacentes à Tríplice Fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Direção Nacional de Aeronáutica Civil (DINAC) e o Ministério Público paraguaio confirmaram a total legalidade e o registro alfandegário prévio da operação de transporte de numerário, desmentindo boatos preliminares sobre voos clandestinos de lavagem de capitais do narcotráfico. A Polícia Federal do Brasil foi formalmente integrada à cooperação investigativa através do Comando Tripartite para rastrear os números de série das cédulas brasileiras que começaram a ser negociadas no mercado negro de câmbio de Foz do Iguaçu. O episódio gerou debates jurídicos regionais sobre a tipificação penal do furto de despojos de sinistros aeronáuticos e a segurança da cadeia logística de valores.





