- Relações formais com ambos os lados: mantém embaixadas ativas em Washington e Teerã
- Credibilidade nuclear: como potência nuclear declarada, tem expertise técnica que outros mediadores não possuem
- Interesse direto: a instabilidade no Golfo Pérsico afeta diretamente a economia paquistanesa (importa 85% do petróleo)
- Neutralidade percebida: não participou das operações militares de nenhum lado
O primeiro-ministro paquistanês ofereceu Islamabad como sede das negociações em 18 de abril, e ambos os lados aceitaram em 48 horas — uma velocidade incomum na diplomacia do Oriente Médio.
O acordo é "preliminar" e "de estrutura" — categorias diplomáticas que significam, na prática, que nada está definitivamente resolvido. As questões mais difíceis foram deliberadamente deixadas para a segunda fase:
| Questão pendente |
Posição EUA |
Posição Irã |
Dificuldade |
| Estoque de urânio a 60% |
Deve ser exportado |
Pode ser diluído internamente |
Muito alta |
| Centrífugas em Fordow |
Devem ser desativadas |
São para pesquisa pacífica |
Alta |
| Mísseis balísticos |
Devem ser limitados |
Não são negociáveis |
Extrema |
| Inspeções surpresa |
Em qualquer instalação |
Apenas nas declaradas |
Alta |
| Prazo do acordo |
15+ anos |
Máximo 10 anos |
Média |
Acordos de estrutura que não chegam a acordos definitivos são frequentes na história diplomática do Irã. O precedente mais relevante é o próprio JCPOA: levou 2 anos entre o framework de Lausanne (2013) e a assinatura final (2015) — e mesmo assim foi abandonado 3 anos depois.
Israel recebeu o acordo com preocupação aberta: o primeiro-ministro Netanyahu afirmou que "nenhum acordo que permita ao Irã manter capacidade de enriquecimento é aceitável para a segurança de Israel." Fontes israelenses indicaram que o Mossad está preparando uma avaliação independente das capacidades nucleares iranianas.
Arábia Saudita emitiu declaração cautelosamente positiva, mas com a ressalva de que "qualquer acordo deve incluir garantias para a segurança dos países do Golfo." Riad teme que um Irã com sanções aliviadas se torne mais agressivo regionalmente.
Rússia e China — que tinham interesse estratégico em que os EUA permanecessem atolados no conflito iraniano — demonstraram reações mistas. Moscou declarou "apoio ao diálogo" mas não endossou os termos específicos. Pequim, que mediou o acordo EUA-Irã de Mascate semanas depois, viu o framework paquistanês como um passo na direção certa.